Paulo Pinto/AE
Paulo Pinto/AE

O segundo voo, mais leve, de Tiê

Cantora lança álbum com banda, cover do Calcinha Preta e participações de Jorge Drexler, Jeneci e Hélio Flanders

Lauro Lisboa Garcia - O Estado de S.Paulo,

07 Abril 2011 | 06h00

Tiê mudou. Um pouco. Deixou de ser "independente" e foi contratada pela major Warner. Em vez do minimalismo de violão e piano alternados no autoacompanhamento de suas performances, agora tem uma banda, incluindo o fiel produtor e multi-instrumentista Plinio Profeta. No mais, passou ao largo dos clichês dos "reflexos da maternidade" e da "síndrome do segundo disco", ao fazer A Coruja e o Coração, que lança com show amanhã no Auditório Ibirapuera.

Se há alguma influência do fato de ter se tornado mãe, é o efeito inverso: são tantas malas e fraldas para carregar quando viaja com o bebê, que resolveu compensar na música, fazendo um disco "mais leve". Neste ano, por conta do lançamento do CD, ela vai ter de refazer essas malas muitas vezes: entre outros, tem shows marcados nos Estados Unidos (Texas e Nova York) e no Rock in Rio.

"Esse disco retrata muito uma outra fase minha, então não cabia mais só voz e violão como foi em Sweet Jardim", diz a cantora. "Claro que a parceria com a Warner abre várias portas. Mas acho que mesmo que fosse independente o caminho seria o mesmo, pela necessidade de ter uma sonoridade mais cheia, com mais corpo e mais participações."

O estilo continua o mesmo, com a pegada folk e alguma inclinação para o country, só que com mais força. "As letras estão mais leves, as melodias ainda aparecem. É uma continuidade de Sweet Jardim, que gravei em casa sozinha durante meses. Esse não, foi no meio de um turbilhão."

Outro ponto de ligação entre a estreia e o segundo passo é Plinio Profeta. "Ele caiu de paraquedas no primeiro disco, a gente nem sabia onde ia se encaixar. O resultado foi excelente, a gente ficou dois anos viajando com o show, só os dois, e a gente se tornou mais do que amigos, virou uma família. No segundo processo nem passou pela minha cabeça fazer com outra pessoa. Formamos uma dupla mesmo, a gente trabalha muito bem juntos. Ele consegue entender onde quero chegar e é muito fácil e divertido trabalhar com ele."

Além do mais, Tiê diz que é "muito fiel" aos parceiros, daí que a ilustração da capa de A Coruja e o Coração é da mesma Rita Wainer do primeiro. "Gosto de ir sempre à mesma farmácia, cumprimentar as pessoas pelo nome."

No entanto, ela também se perguntou se não estaria ficando "monotemática", então convocou vários parceiros. Além de Plinio Profeta (que produziu o álbum e toca banjo, dobro, baixo, guitarra, piano e craviola), dividiu canções com Pedro Granato, João Cavalcanti, Thiago Petit, Rita Wainer, Ka e Rafael Barion. "Estou mais aberta, é coisa de coração de mãe mesmo", diz a cantora. Profeta e Cavalcanti assinam com ela a canção que puxa o disco, Na Varanda da Liz. "A letra fala de uma coisa que faz parte da minha vida. João começou a letra, depois eu completei."

Flamenco e Mutantes. No CD Tiê também reinterpreta canções de Pethit (Mapa-Múndi), Tulipa (Só Sei Dançar Com Você) e um hit da banda de forró brega Calcinha Preta (Você Não Vale Nada), em ritmo de flamenco. O lançamento digital (pelo site Terra Sonora) terá ainda um cover de Ando Meio Desligado (Mutantes). Outra diferença são as participações de Marcelo Jeneci, Hélio Flanders (do Vanguart), Karina Zeviani e do uruguaio Jorge Drexler.

A canção de Tulipa, que participa de outras faixas no coro, tem um dos arranjos mais bonitos do álbum, com o acordeon de Jeneci, bateria e percussão de James Muller e Profeta tocando todos aqueles instrumentos citados acima. O trompete de Jesse Sadoc e o cello de Luciano Correa dão toques especiais a outras faixas. Na canção de Dorgival Dantas, o violão flamenco e as palmas são de Emiliano Castro. Drexler está virando figurinha fácil em discos de cantoras brasileiras, mas preserva seu charme em dueto afinado com Tiê em Perto e Distante. Ela, enfim, cresce com as novidades.

 

 

TIÊ E BANDA

Auditório Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 2, Pq. do Ibirapuera, 3629-1014. Amanhã, às 21 h. R$ 30.

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