O samba chora a morte de dona Neuma

Sambistas e personalidades cariocas lamentam a morte de Dona Neuma, morta hoje, no Hospital Salgado Filho, na zona norte do Rio. Ela estava internada desde o dia 6 por causa de um derrame cerebral. Em coma, Dona Neuma respirava com auxílio de aparelhos. Ela havia sido operada para retirada de um coágulo e desde então não saiu do coma. Neuma era filha de Saturnino Gonçalves, um dos fundadores da Mangueira (ao lado de Cartola e Carlos Cachaça) e primeiro presidente da escola. Nelson Sargento, compositor, mangueirense - "Conheço a Neuma praticamente desde criança porque cheguei na Mangueira com 13 anos. Ela era uma mangueirense de 80 costados que respirou a escola a vida inteira. Era muito importante pela dinâmica e pelo carisma e será uma perda irreparável, pois sabia ser hilária ou séria nas horas certas." Guilherme de Brito, compositor - "Estou superchateado porque me dava muito bem com a Neuma. Eu a conheci nos anos 40, quando fui levado para a Mangueira pelo Nelson Cavaquinho e me apaixonei por tudo. Ela é mais uma estrela da escola que se apaga. Felizmente ainda temos dona Zica (viúva de Cartola)." Luiz Paulo Conde, prefeito do Rio- Em nota oficial, o prefeito do Rio lembrou fatos da vida de dona Neuma e citou o compositor Nelson Cavaquinho para dizer que "...toda a Mangueira, o samba e o Rio de Janeiro choram a perda de dona Neuma." Beth Carvalho, cantora - "É lamentável a morte da Neuma. Mulheres como ela e a Zica, na Mangueira, a Paula, no Salgueiro e como foi a Vicentina, na Portela, são o esteio do samba. Mas a Neuma também era alfabetizadora, uma das memórias do samba e dedicou a vida inteira a essa causa. Vai deixar uma lacuna." Hermínio Bello de Carvalho, compositor, produtor cultural - "Eu conheci a Neuma no início dos anos 60, quando o Cartola me levou à Mangueira. Era uma pessoa sesacional, alegre, inteligente e absolutamente fiel à escola. Era também batalhadora e preocupada com a educação, alfabetizou muitas crianças do morro e pode ser considerada um dos tijolos da Vila Olímpica da Mangueira." Sérgio Cabral, jornalista e escritor - "Conheço a Neuma desde menino. O espírito comunitário que é a grande força da escola de samba e da comunidade da Mangueira é obra de dona Neuma. Ela era chamada de eminência parda do morro porque nada se decidia sem ela, que atendia a todos. Tinha mais de 80 afilhados e todos viviam pela casa dela." Rosa Magalhães, carnavalesca da Imperatriz Leopoldinense - "É uma perda muito grande para a Mangueira. As mulheres sempre tiveram liderança nas escolas de samba e a história dela é uma parte da história da Mangueira."

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