O retorno do excêntrico Tricky

Com participações da diva teen Alanis Morissette, do hard-soft-budista Ed Kowalczyk (do grupo Live), a ex-musa new wave Cindy Lauper e Anthony Kiedis, Flea e John Frusciante (do Red Hot Chili Peppers) e outros astros em suas faixas, chega às lojas brasileiras nessa segunda-feira o disco Blowback (Sum Records), o retorno do excêntrico Tricky à música pop de invenção. Desde sua estréia em disco, em 1995, com Maxinquaye, Tricky (codinome do britânico Adrian Thaws) provoca ansiedade a cada novo trabalho. Na gênese do sombrio e melancólico barco trip hop dos anos 90, ele conquistou admiração e respeito. Não só pela atmosfera contemplativa misturada com vocais cavernosos e pela adoração do povo dancefloor, mas também por propor uma aproximação entre a cultura negra do hip hop e o universo branco e etéreo das pistas. Alternativo até a medula, mas com capacidade para furar bloqueios do mainstream, ele deixou a fórmula do trip hop com Juxtapose, o penúltimo trabalho, de 1999. Ali, ele deixou-se envolver mais abertamente pelas causas do hip hop e criou belas tessituras limítrofes ao canto falado. Com Blowback, o alvo é o pop mais descarado, que ele ironiza e implode com consequência e criatividade em faixas como Excess (com Alanis nos vocais) ou Over Me (com o escorregadio Hawkman ao microfone). Aqui, Tricky é pop e antipop ao mesmo tempo, sem perder de vista o toque sofisticado de sua música. As guitarras escorregam de Luscious Jackson a Lenny Kravitz, num vaivém contínuo. Melódica e estilística, funk ou dance, a música de Tricky traz o melhor da tradição dos ritmos negros e uma grande pesquisa sobre a moderna música popular internacional. Blowback está entre os grandes lançamentos da temporada.

Agencia Estado,

03 de agosto de 2001 | 19h14

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