Tatjana Prenzel/The New York Times
Tatjana Prenzel/The New York Times

O que a 'Nona Sinfonia' de Beethoven revela sobre o cérebro humano

Pesquisa destacou o grande impacto e as aplicações do estudo e sua utilidade no desenvolvimento de novos algoritmos para a inteligência artificial

EFE / MADRI, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2020 | 15h00

Passados 250 anos do nascimento de Beethoven, sua música continua a surpreender e a sua Nona Sinfonia revelou novos detalhes sobre o cérebro humano e a existência de células “conceituais”.

Uma equipe internacional de cientistas, liderada por matemáticos da Universidade Complutense de Madrid (UCM), aprofundou o estudo dos neurônios individuais que formam conceitos abstratos, como as notas musicais, publicado na revista Scientific Reports.

Como informou a universidade, os neurônios individuais chamados células conceituais influem na compreensão dos conceitos abstratos. A existência dessas células foi comprovada e demonstrada concretamente pelos investigadores a partir de um ensaio específico com a Nona Sinfonia de Beethoven.

A aparição de conceitos abstratos no cérebro humano estava associada à interação complexa de muitos neurônios, mas a nova pesquisa demonstra que, na realidade, em cada expressão abstrata influenciam poucos neurônios individuais ou células conceituais.

O mesmo caso ocorreria com a música, para distingui-la do ruído, já que cada nota exige alguns conceitos musicais concretos. Para esse estudo, os pesquisadores criaram uma rede neural de 3.200 células nervosas na capa seletiva e 1.600 na capa conceitual.

Inicialmente, as células registraram ondas sonoras de modo aleatório sem detectar a que nota pertenciam. “Mas após o treinamento, como se mostrou no experimento com a Nona, os neurônios processaram a informação recebida e determinaram que nota era emitida, atuando como células conceituais”, explicou Valeri Makarov, pesquisador do Instituto de Matemática Interdisciplinar da UCM.

Quando soa a nota Fá sua célula conceitual associada é ativada, assim como aquela que representa o conceito de árvore ou, como recentemente foi demonstrado na Universidade de Leicester, “o neurônio de Jennifer Aniston” é ativado quando escutamos o nome da atriz, assinalou a universidade.

O pesquisador destacou o grande impacto e as aplicações do estudo e sua utilidade no desenvolvimento de novos algoritmos para a inteligência artificial. As redes neurais artificiais tentam copiar a estrutura e o funcionamento do cérebro e, em alguns casos, superam o cérebro humano em tarefas relativamente fáceis, como o reconhecimento de imagens, mas ainda estão atrasadas nas suas capacidades cognitivas. “Para o avanço dessa capacidade é necessário compreender como o cérebro entende o que está no seu entorno”, disse o pesquisador da UCM, que colaborou nesse trabalho com cientistas das universidades de Leicester (Reino Unido) e de Nizhny Novgorod (Rússia). / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Tudo o que sabemos sobre:
BeethovenJennifer Aniston

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.