O punk seminal do Toy Dolls aterrissa em São Paulo

Raras são as bandas inglesas quemilitam no punk rock desde que o punk era a única linguagem queos filhos do proletariado inglês falavam. Uma dessas poucasbandas é o Toy Dolls, formada em Sunderland, Inglaterra, em 1979(recentemente, tivemos em São Paulo uma amostra da intensidadedesse pessoal, com a visita do Gang of Four). A veterana banda Toy Dolls, influência seminal debrasileiros como Garotos Podres, toca nesta quarta-feira no Blen BlenClub, na Vila Madalena, celebrando os 20 anos da loja LondonCalling, um bunker da resistência rocker ali nas Galerias doRock. O segundo show, no sábado, será no Hangar 110. O grupotoca em Curitiba, no dia 27, no Espaço Callas. A formação que vem ao Brasil, a bordo da turnê Our LastTour?, conta com o lendário guitarrista e cantor Olga (codinomede Michael Algar), londrino de South Shields, eternoremanescente da formação original, além de Amazing Mr. Duncan nabateria e Tom Goober no baixo. Olga começou a carreira com uma guitarra de 15 libras, einfluenciado, como contou, por Dr. Feelgood, Chuck Berry, TheJam. "Nós sempre dizemos que fazemos Toy Dolls music, mais quepunk. O punk é maior, é a coisa mais influente no Toy Dolls. Nãotocamos o que não queremos, esse é o ponto. Punk também é isso:é fazer exatamente o que você quer fazer." Décimo terceiro disco do Toy Dolls, Our Last Tour? foilançado em abril do ano passado. Traz a marca do humoriconoclasta do grupo, com faixas como Yul Brynner was aSkinhead e I Gave My Heart to a Slag Called Sharon fromWhitley Bay. Que não ficam distantes dos seus clássicos, comoNellie The Elephant (Top 5 na Inglaterra em 1984), Ernie Hada Hernia e Fat Bob?s Feet. Já tocaram até Livin? la VidaLoca, de Ricky Martin. O Toy Dolls mantém exatamente o mesmo som de seu início,quando foi formado em outubro de 1979, no norte da Inglaterra.Nunca foram cruciais como o Clash nem incômodos como os SexPistols. Ocupam uma espécie de mundo paralelo no punk rockinglês, diferente da discurseira politizada ou do ativismodemasiado sério (embora muito associados à cena Oi). Isso ospreservou, de certa maneira, do julgamento do futuro: ainda soamfrescos como sempre. Em 2000, o grupo lançou o disco The Anniversary Album, para marcar os 20 anos de carreira. Logo a seguir, o guitarrista Olga passou um tempo excursionando como baixista da banda The Dickies. Depois, começou a tocar no The Adicts, em 2004. No mesmo ano, reagrupou os Toy Dolls com Dave the Nut (DaveNuttall) na bateria e Tom Goober (Thomas Woodford Blyth) nobaixo. "A história do Toy Dolls é como uma porta giratória dehotel, com Olga como a porta e os parceiros passando por elacontinuamente", definiu o site Popmatters, sobre a lógicaaglutinadora do guitarrista. Na sua primeira formação, lá em1979, o Toy Dolls tinha Pete Zulu (Peter Robson) no vocal, Olgana guitarra, Flip (Philip Dugdale) no baixo e Mr. Scott (ColinScott) na bateria. Os hooligans pesos-pena foram sempre amados e seu punkrock escrachado fez escola, muito embora muitos torcessem onariz para seu estilo. Muitos, mas não a maioria. "Porque, sevocê não se diverte ouvindo James Bond (Lives Down Our Street) música do Toy Dolls, nem um pouquinho, então você precisa deajuda, colega", disse um crítico. Essa diversão e escrachoaterrissam amanhã na Vila Madalena. Toy Dolls. Blen Blen Club. R. Inácio Pereira da Rocha, 520,(11) 3223-5300. Nesta quarta, 20 h. R$ 70. Hangar 110. R. RodolfoMiranda, 110, (11) 3229-7442. Sáb., 19 h. R$ 70

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.