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O mundo da música ainda precisa da Madonna em 2015?

Uma vez rainha do pop, sempre parte da realeza, mas qual é a importância da cantora aniversariante deste domingo, 16, na sociedade contemporânea

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

16 Agosto 2015 | 10h00

Como já disse Taylor Swift, “haters gonna hate, hate, hate”. Ou seja, essas que gostam de criticar vão criticar, mesmo. Vão xingar esse texto. A questão do título, contudo, ainda se faz importantíssima. A cantora norte-americana Madonna completa 57 anos neste domingo, 16. Ainda na ativa, ela lançou um novo álbum de inéditas, Rebel Heart, e segue em turnê pelo mundo todo.

O curioso, contudo, é pensar que ela tem shows marcados na América do Norte, Europa, Oceania e Ásia, de setembro de 2015 a março de 2016, mas são poucas as apresentações já esgotadas. De 64 espetáculos anunciados, somente 2 deles já não vendem mais ingressos. Assustador, não?

Pode-se dizer que é culpa da crise mundial? Quem sabe. Provavelmente, sim, em alguns casos. Mas, convenhamos, estamos falando de Madonna.  Uma década atrás, a possibilidade de um show da cantora seria suficiente para agitar qualquer cidade. Quando ela veio ao Brasil, recentemente, os shows nem sequer esgotaram. Crise financeira ou de criatividade da cantora? Quem apostar em ambas tem maior chance de acerto.

É claro que a indústria fonográfica se reconstruiu, apostando nas grandes turnês, já que a venda de discos não funciona para criar o pé de meia de ninguém, do lojista ao artista. Com isso, até os grandes nomes precisaram criar turnês cada vez maiores, mais grandiosas e extensas. Aumenta a oferta, mas não é todo mundo que tem a carteira cheia para bancar o bilhete – e, convenhamos, sabemos que, em dois ou três anos, o artista estará aqui de volta.

Aposta-se no show, mas deixa-se o disco de lado. Algo que não deveria fazer sentido, já que os bons álbuns são responsáveis pelas ótimas turnês. Tome Taylor Swift como exemplo. A cantora deixou de ser princesinha do country, apostou no pop, e está maior do que nunca. Brigou com a Apple e venceu. Bateu de frente com os outros serviços de streaming e conseguiu ter o disco mais vendido do mundo em 2014, no formato físico, e o vinil mais comprado em 2015.

Rebel Heart, de Madonna, por sua vez, perde-se num pop vazio e de pouca intensidade. Ainda pode ser considerado melhor do que os antecessores Hard Candy e MDNA, que talvez soassem desesperados demais. Agora, Madonna parece se dar ao luxo de resgatar alguma tendência lançada por ela décadas atrás, sem medo de soar nostálgica. O disco, como um todo, chegaria a uma nota de três estrelas (num total de cinco), com muito esforço e boa vontade.

Madonna sofre da própria expectativa colocada sobre ela. “Bitch, I'm Madonna”, diz ela no recente single. “Vadia, eu sou a Madonna.” Ela não quer levar desaforo para casa, mas vive mais da força do seu nome do que da inventividade que um dia já foi ligada a ela. A canção com título desaforado, aliás, é um exemplo da mediocridade (atenção ao significado da palavra, ok?) criativa. Vocais apressados e tão transformados por efeitos que Madonna soa como uma criancinha que está aprendendo alguns palavrões na escola.

Assista ao clipe da canção, lançado em junho, e me diga que não ficou com o mínimo de vergonha alheia?

Assistiu? É justamente isso de que estamos falando aqui. Com exceção daquele dubstep incluído no meio da faixa, meio sem pé nem cabeça, não há nada de novo ou minimamente interessante. Pop burocrático e tão apressado que parece que Madonna fica sem ar ao vociferar tão rápido.

Não é dessa Madonna que o mundo precisa em 2015, contudo. Para isso, a música já tem Katty Perry, Rihanna, Beyoncé, Taylor Swift, Miley Cyrus. A lista de musas pop, que se alternam no topo das paradas, é enorme – todas elas, de uma forma ou de outra, bebem de alguma fase da antiga rainha do pop.

A Madonna que o mundo precisa é revolucionária no melhor da palavra. Os hits dela estão ali e, nos shows, todos vão dançá-los. Mas que tal um pouco mais de ousadia? Ela ditava as tendências. Era a rainha. Agora, chama Nicki Minaj , arroz de festa do novo pop, para uma participação no single acéfalo. Aos 57 anos, a cantora pode se dar ao luxo de experimentar mais do que qualquer um. Não há pressão ou necessidade de um grande hit para sustentar a turnê. Ainda a queremos no topo. Mas é preciso se mexer se quiser se manter na vanguarda.

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