Julian Hargreaves
A cantora e compositora italiana Laura Pausini  Julian Hargreaves

‘O maior momento da minha carreira’, diz Laura Pausini sobre 1ª indicação ao Oscar

Em entrevista ao ‘Estadão’, cantora também desabafa sobre bloqueio criativo durante pandemia 

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2021 | 05h00
Atualizado 29 de março de 2021 | 15h25

Laura Pausini vive um momento especial da carreira. Ganhadora de um Grammy, quatro Grammy Latino, entre outros prêmios, a cantora e compositora italiana, de 46 anos, está em estado de êxtase com sua primeira indicação para o Oscar, com a música Io Sì, do filme Rosa e Momo, na categoria de melhor canção original. O anúncio da indicação foi feito no último dia 15, depois de ela já ter ganhado o Hollywood Music in Media Awards e o Globo de Ouro com a canção, composta em parceria com Diane Warren e Niccolá Agliardi e interpretada, em italiano, por ela. 

Mas a pandemia impediu que Laura comemorasse essa conquista ao lado de seus pais. Com a Itália em lockdown, a celebração teve de ser feita a distância, cada um na sua casa, por Facetime. E com delay. A cena foi compartilhada por Laura em suas redes: os pais ouviram dois segundos antes dela a nomeação de Io Sì e começaram a gritar; Laura olhou para a tela e ficou confusa com aquela festa do outro lado, já que o anúncio não tinha chegado até ela; e então a explosão de alegria se estendeu para sua casa quando ela viu que sua canção estava na lista de concorrentes ao prêmio da Academia. A cerimônia está marcada para 25 de abril, presencialmente, seguindo restrições e protocolos de segurança, na Union Station, no centro de Los Angeles, e no Dolby Theatre, em Hollywood.

Sua felicidade vem em tempos dolorosos. E Laura confessa que enfrenta um conflito de sentimentos. “Fico tão feliz por minha carreira, minha vida, chegando notícias, como Globo de Ouro e Oscar, que é uma coisa gigante, uma coisa maravilhosa, e, ao mesmo tempo, não posso ver meus pais, a minha filha não vai à escola. Ela tem a sorte de ser muito fantasiosa. Então, durante o dia, ela faz muitas coisas na nossa casa, mas não pode encontrar suas amigas”, diz Laura, em entrevista ao Estadão, por Zoom, de sua casa em Roma, onde está isolada com o marido e a filha Paola, de 8 anos. Fã do Brasil e com muitas passagens pelo País, Laura conversou em português, idioma que adora falar. “É o momento provavelmente mais importante da minha carreira, e chega durante uma pandemia. Então, não se pode desfrutar totalmente. Mas, quando falo disso com meus amigos ou com a minha família, eles me dizem que não é justo que eu pense assim. É um momento triste, então tudo que é lindo tem que desfrutar. Estou trabalhando um pouco isso, porque fico com um pouco de culpa.”

Laura conta que estava parada desde fevereiro do ano passado. O convite para compor o tema original com seus parceiros para o filme Rosa e Momo, da Netflix, protagonizado por Sophia Loren e dirigido por Edoardo Ponti, filho da atriz, chegou em agosto. E foi como uma espécie de salvação para ela como artista. “Imagina que eu, durante meus 28 anos de carreira, passei na minha casa menos de dez meses. Então, agora, um ano fechada, confirmo que não gosto de estar em casa (risos). Ao mesmo tempo, preciso aprender a viver mais normal, porque gosto também de conhecer essa parte. Mas, no princípio, foi difícil, porque eu não encontrava um equilíbrio. Por exemplo, eu perguntava para mim: posso escrever uma canção? Não tenho vontade, e sempre estava muito concentrada na minha filha, muito preocupada, porque não quero que ela sofra”, conta ela. “Mas isso foi muito difícil. Então, artisticamente eu estava morta.”

Mas, graças ao filme, Laura voltou a escrever. Assistiu a algumas cenas, para fazer a letra em parceria com Niccolá Agliardi, enquanto a música leva a assinatura de Diane Warren. “Não (assisti) totalmente, porque estava em pré-montagem quando o Edoardo me mandou para ver. Mas era muito fácil já receber a mensagem com as imagens que ele me mandou.” Tendo como cenário a cidade de Bari, o belo Rosa e Momo mostra a relação de carinho e afeto maternal que, por um acaso do destino, acaba sendo construída entre Madame Rosa (Sophia Loren), uma ex-prostituta que cuida de filhos de prostitutas, e Momo (Ibrahima Gueye, indicado para o Critics Choice Awards 2021 por sua atuação), garoto de 11 anos que pratica pequenos roubos. Duas pessoas de origens, idades e universos distantes que criam laços em meia a adversidades. Dois invisíveis para a sociedade, que lançam entre si um olhar de acolhimento e entendem a dor do outro. 

A música Io Sì (Eu Sim) vem nessa sintonia, falando de tolerância, de diversidade, de acolhimento. “Quando você aprende a sobreviver/E aceita o impossível/Ninguém crê/ Eu sim”, diz um trecho traduzido da letra. “O filme ensina a todos que, mesmo que você não tenha uma família de sangue, você pode ter uma família. Quando você fica invisível, não deve pensar que não existe ninguém no mundo para ajudar, para poder proteger você. Você precisa procurar e acreditar que existe uma pessoa que pode ser de uma raça diferente, de uma idade diferente, de uma ideia diferente, mas que é um anjo para você”, observa Laura. “Mesmo que eu tenha escrito a letra a partir do filme, agora entendo que é muito atual, porque as palavras são dedicadas também às pessoas que se sentem invisíveis, e que agora desafortunadamente precisam ter uma resposta, uma proteção de alguém.” 

A canção é tocante, forte, e ganha uma interpretação emocionante de Laura. Difícil segurar as lágrimas quando o filme chega ao final e a canção começa a tocar. Há uma dramaticidade contundente e uma beleza na voz de Laura, que a consagrou em sucessos como Strani Amori, La Solitudine e Non c’è. A cantora já havia gravado música para outro filme, Uma Carta de Amor, de 1999, com Kevin Costner, mas nunca mais participou de outra trilha, porque nunca mais recebeu propostas que mexessem emocionalmente com ela. Diferentemente do que aconteceu com Rosa e Momo

Depois de Io Sì, Laura seguiu compondo. E rompeu um período de ‘bloqueio criativo’ imposto pela pandemia. “A minha reação foi: ok, então a minha vida na música já terminou, agora preciso me dedicar à minha família, porque não sei quanto tempo tenho, e fica esse medo contínuo. Você quase pensa que a música não é tão importante nos momentos assim, mas me equivoquei, porque, depois de agosto, quando chegou a canção pelo filme, e cantei uma vez mais e escrevi uma vez mais, fiquei mais tranquila com todo o resto. A música é sempre uma resposta para quem faz e para quem escuta. Essa música me deu força. Então, estou escrevendo muito, compondo muito, estou preparando uma coisa nova. Não sei quando sai. Até agora não tenho material suficiente para que a gente possa escutar bem as minhas emoções. Então, preciso de mais tempo para fazer um disco. Mas estou escrevendo. E não estou morta artisticamente.” 

Veja clipe de Io Sì:

 

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Laura Pausini lança canção de filme com Sophia Loren e revela que lockdown a deixou 'em crise'

Cantora divulgou a música-tema do longa 'The Life Ahead', que deve chegar em novembro à Netflix

Ansa, Redação

26 de outubro de 2020 | 12h37

A cantora italiana Laura Pausini revelou que o período de lockdown por conta da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), realizado na Itália entre março e maio, a deixou em crise e cobrou atitudes do governo para ajudar o setor cultural no país.

Neste fim de semana, a cantora lançou a canção Io Sì em cinco idiomas diferentes. A música, feita em parceria com Diane Warren, é tema do filme The Life Ahead, dirigido por Edoardo Ponti, e que tem Sophia Loren no elenco, devendo estrear pela Netflix no próximo mês.

"Com o lockdown, me senti perdida. Aos invés de me tirar as inquietudes, eu fiquei me perguntando se alguém ainda ia querer me ouvir cantar", afirmou à Ansa, ressaltando que o período fez com que ela tivesse "pouca vontade" de trabalhar sobre um novo álbum de inéditas.

"Ficava adiando o momento no qual ia iniciar a ouvir as mais de 500 músicas que chegaram para mim. Depois, chegou a proposta de Diane Warren e entendi porque eu tinha dito 'não' até hoje a outros projetos cinematográficos: eu sempre esperei me emocionar assim, me reconhecer em um filme que conta a história de duas pessoas, de encontros que podem mudar a vida e podem salvá-la", disse Pausini.

A artista revelou ainda que "é uma emoção" ver Sophia Loren em um filme "com uma história intensa, italiana e com um significado importante e, infelizmente muito atual". No longa, Loren interpreta uma sobrevivente do Holocausto e que cuida de uma filha que é prostituta.

Questionada sobre os impactos da pandemia de covid-19 no setor cultural, Pausini pediu atenção do governo italiano para "os cerca de 570 mil trabalhadores que não podem ser ajudados apenas pelos cantores".

"Vivemos na incerteza e cada um de nós quer fazer algo para remediar. [...] Não somos nós, os cantores, quem têm necessidade de ajuda econômica, mas o técnicos e só o Estado pode intervir para ajudá-los. Isso é o que nos caracteriza como país: a arte salva. Onde todos nós nos refugiamos quando estávamos fechados em casa? Na música, no cinema, nos livros. Isso é cultura, mas sobretudo, o estado emocional do ser humano", concluiu a cantora. 

 

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Laura Pausini convida ao diálogo com disco '‘Fatti Sentire' e faz dueto com Simone & Simaria

Cantora italiana voltará ao Brasil em agosto para shows em São Paulo, Brasília e Recife

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2018 | 06h00

Atenta, a cantora italiana Laura Pausini faz seus olhos correrem pelos presentes naquela suíte de luxo de um hotel na região dos Jardins, em São Paulo. Encontra alguns braços tatuados e pergunta o significado de cada um dos desenhos.

Depois, durante a entrevista ao Estado, a primeira de um dia de encontro com jornalistas pela cidade, ela faz questão de usar o que aprendeu com o que ouviu sobre os conceitos dos traços marcados na pele daqueles ao seu redor. Ela, mesma, não tem. “Eu acho lindo, mas acho que não ia gostar de ter esse desenho para sempre em mim”, explica a italiana de 43 anos. 

Naquela manhã de quinta-feira, ela ainda recebia os cuidados de uma maquiadora – dona de braços cobertos por tatuagens, diga-se de passagem – quando deu início à série de entrevistas para falar sobre Fatti Sentire, o décimo terceiro disco de estúdio dela, composto por canções nas quais ela convida para o diálogo. “Acredito que as pessoas, hoje, têm medo de serem quem são”, explica a italiana que tem mais de 70 milhões de discos vendidos ao redor do mundo. 

E Laura ouve, atenta, a cada observação a respeito de Fatti Sentire, um disco, aliás, feito numa velocidade maior do que o costumeiro ritmo de criação e produção. “Em um mês, percebi que as músicas estavam todas ali. Eu deixei as canções falar, em certos momentos devemos deixar que isso aconteça. Por isso, estou já de volta com um disco”, explica. 

Em 2015 saiu Simili, o disco anterior. E Laura planejava descansar, entre as casas onde mora, em Roma e em Miami. Foi na cidade norte-americana, conta ela, que Fatti Sentire ganhou corpo. “Comecei a escrever em Roma, mas as músicas começaram a chegar para mim, dos outros compositores e parceiros, quando eu já estava em Miami. Me inspira o clima, as pessoas, a chuva”, conta. “É algo diferente ouvir essas canções lá em vez de Roma.”

Com 14 faixas, Fatti Sentire entrega também uma nova parceria da italiana com artistas brasileiros. Cantando em português e em espanhol, se propõe a cantar o amor ao lado da dupla sertaneja Simone & Simaria. A canção, chamada Novo, usa do atual pop latino, quando as frequências eletrônicas se encaixam na cadência do reggaeton.

“Tudo está diferente de quando comecei”, ela diz, sobre o tal “convite ao diálogo” que o título do álbum, em italiano, sugere – e em falta em tempos de polarização política na Europa, Estados Unidos e Brasil. “Acho que as pessoas têm medo de mostrar quem elas realmente são. Por isso, vestem essas máscaras. É importante, e canto isso no disco, deixar esse medo de lado e entender as diferenças para que as relações se tornem realmente verdadeiras.”

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Laura Pausini vira aeromoça para lançar novo álbum

Cantora quis compartilhar a experiência de viajar 'quase todos os dias de avião'; turnê conta com shows no Brasil em agosto

agência ANSA, ANSA

16 de março de 2018 | 10h09

MILÃO, ROMA - A cantora italiana Laura Pausini se transformou em aeromoça da companhia aérea Alitalia nesta quinta-feira, 15, para apresentar seu novo álbum, Fatti Sentire (Deixe-me te ouvir, em tradução livre), que chega às lojas do país europeu nesta sexta-feira, 16.

"Bem-vindos ao voo AliLaura e Alitalia", disse a estrela ao receber jornalistas para um voo especial entre Milão e Roma. A cantora, após mostrar as saídas de emergência e servir bebidas aos repórteres, falou sobre o novo disco, que será tema de quatro shows no Brasil em agosto.

Nas redes sociais, ela compartilhou algumas fotos do momento.

 

Signore e Signori #fattisentire è pronto a decollare!

Uma publicação compartilhada por Laura Pausini Official (@laurapausini) em

"Queria que vocês entrassem no meu mundo, aquele no qual viajo quase todos os dias de avião", declarou Pausini. Fatti Sentire é seu 13º álbum de inéditas e contém 14 faixas, incluindo uma em inglês e outra em espanhol. "A parte latina está muito presente em meu modo de ser", acrescentou.

O disco tem um fio condutor: cada música, segundo Pausini, conta histórias de pessoas que "devem fazer uma escolha ou tomar uma decisão" e que "precisam se fazer ouvir". "É um convite que faço a mim mesma e às pessoas que escutam minha música, um convite a sermos corajosos, a sermos nós mesmos sem medo de preconceitos, mesmo quando nos sentimos frágeis", acrescentou a estrela, que se definiu como "forte no palco e frágil quando desce".

De acordo com a italiana, muitas músicas ficaram de fora, e um segundo volume deve ser lançado. "Mas não sei quando", disse. Ao desembarcar em Roma, Pausini foi recepcionada de forma calorosa por passageiros e funcionários do aeroporto de Fiumicino.

A turnê da cantora começa em julho, em Roma, e tem quatro show previstos no Brasil em agosto: dias 20 e 21 em São Paulo, dia 23 em Brasília e dia 25 em Recife.

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