Mikko Stig/Reuters
Mikko Stig/Reuters

O gigante chegou

U2 faz em São Paulo, hoje, amanhã e quarta, shows com um padrão inédito de tecnologia

Roberto Nascimento - O Estado de S.Paulo,

09 Abril 2011 | 06h00

A turnê mais tecnologicamente avançada da história chega hoje ao Brasil para três shows esgotados sob o comando de Bono, Edge, Larry e Adam, os irlandeses que definem, desde as turnês dos anos 90, o padrão das superproduções de arena no mundo do rock. U2 360°, que a banda tocará do centro do Morumbi para um público que vai se beneficiar de uma visão igualmente distribuída para todos os lados, trata-se de um Avatar da indústria musical. Técnicas de palco tiveram de ser desenvolvidas para realizar os shows, que são feitos sob uma aranha gigante de 400 toneladas e tem ainda uma tela de LCD circular e quatro sistemas de som que disparam em todas as direções.

"É de longe o maior palco já montado e será a maior turnê de todos os tempos. A ideia veio ao fim da turnê Vertigo, em 2006. Bono caminhava pelo estádio Aloha de Honolulu com o designer Willie Williams, e perguntou: ‘será que conseguimos tocar em volta do estádio inteiro?’", conta o diretor da turnê Craig Evans, que já trabalhou com os Rolling Stones, Paul McCartney e Meatloaf. "A ideia se concretizou algum tempo depois, quando eles estavam jantando. Bono juntou quatro garfos em cima de seu prato e mostrou para Willie", explica.

A partir daí, foram dois anos de planejamento. Engenheiros, designers e peritos em som e vídeo foram contratados para desenvolver o projeto. "Em qualquer outra turnê, o sistema de telas é feito para tocar para frente, só. O sistema do 360 é montado em cima do palco e teve de ser conectado de maneira que aparente uma tela circular contínua. Então a visão é igualmente vantajosa para todos," conta.

Para dar a volta ao mundo com um esquema deste porte, o U2 tem três palcos que se revezam. Enquanto um está montado, outro está sendo desmontado e um terceiro está a caminho do próximo show. Tudo funciona como um relógio sob a batuta de Evans, que é responsável por 240 profissionais, 209 caminhões e motoristas e ainda contrata mão de obra local para auxiliar na montagem dos palcos faraônicos. No Morumbi, conta Craig, a operação foi mais complicada, pois o estádio não possui um túnel que abrigue um dos 209 caminhões que viajam com as estruturas. Tudo teve de ser desmontado fora do estádio e empurrado para dentro.

Para o 360 tour, o U2 quis beneficiar os fãs mais assíduos. Como o palco é circular, não há a tradicional área VIP, presença constante em todos as apresentações desta nova era de grandes shows no País. Os primeiros 2,800 fãs terão o privilégio de assistir ao show do gramado, aos pés do palco de três metros de altura. Quem quis pagar mais para ficar próximo, em uma área mais confortável, assistirá da Red Zone. É uma área VIP, mas todo o lucro beneficiará instituições de caridade. "Isto acontece desde a Vertigo", explica a fã Vanessa Almeida, que está acampada em frente ao estádio desde terça-feira para garantir o primeiro lugar da fila. "Eu acho que o U2 quer lucrar mas eles fazem isso por amor também", completa.

 

Mania de grandeza

209

caminhões viajam com a banda

240

profissionais envolvidos

400

toneladas é o peso da ‘aranha’

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