O 'frevoton' do mundo livre s.a se apresenta em SP

Banda pernambucana mostra canções do novo álbum em shows nesta terça e quarta-feira no CB Bar

Felipe Branco Cruz, Jornal da Tarde

12 de maio de 2009 | 08h31

Os versos da inédita canção O Homem Automático (Manual de Instruções), da banda pernambucana mundo livre s.a., fala sobre um homem viciado em orgias que se ofende quando uma menina o convida para um programa a dois. “Meu negócio é durante. Assim me sinto vivo. Duro hoje duro, sempre duro, pois durar é viver”, diz o verso, que continua: “Ninguém precisa ser imortal. Apenas durante, pois nada quanto durar o quanto antes”.

A música é uma das novas composições do mundo livre presentes nos shows de hoje e amanhã, à meia-noite, no CB Bar. Segundo o vocalista, Fred Zero Quatro, O Homem Automático também funciona como uma homenagem aos 25 anos do grupo. “No meio da música tem a frase: ‘Durar é viver’, que será o título do novo álbum”, explica. “É difícil uma banda alternativa se manter tanto tempo na estrada.”

Os pernambucanos se mantém sem perder tempo. Querem lançar o trabalho ainda neste ano e vão aproveitar a agenda de shows para conciliar a gravação de pelo menos três canções do novo disco, entre elas, o single O Velho James Browse Já Dizia. “É uma música experimental, porque partiu de uma ideia essencialmente eletrônica. O conceito dela é o frevoton, uma espécie de tradução da cultura pernambucana em estilo reggaeton (mistura do reggae jamaicano e hip-hop americano).”

Quando Fred fala em inovação musical, ele sabe do que se trata. Afinal foi ele, e não Chico Science, o autor do manifesto Caranguejos com Cérebro, que deu início, na década de 90, ao movimento Mangue Beat.

Foi somente nessa época que a sorte dos pernambucanos começou a mudar. Junto com Chico e Jorge Dú Peixe, do Nação Zumbi, eles construíram um dos mais importantes movimentos musicais brasileiros. Enquanto o Nação fazia um som mais pop, o mundo livre focava a mistura de samba com punk-rock - presente até hoje no som deles.

Nos shows de hoje e amanhã, o repertório privilegia canções de Combat Samba. “Mas estamos em período de transição entre o Combat e o Durar é Viver. Temos 13 composições prontas para gravar. Dessas, usaremos 10 ou 11 no novo disco.”

Fred, portanto, promete intercalar os sucessos do passado com músicas inéditas, entre elas Ela é Indie, Fucking Shit e Melô dos Inocentes. “O Melô é um medley das antigas Destruindo a camada de ozônio com a Quem tem groove, tem tudo, com uma roupagem mais moderna.” Das antigas, eles devem tocar Guns of Brixton, Super Homem Plus, Melô das Musas, Computadores Fazem Arte, Free World e Livre Iniciativa.

Aos 47 anos, Fred tem fãs que o conhecem de longa data. O detalhe é que, mesmo assim, o mundo livre s.a. está conseguindo renovar seu público. “Fui ao show do Radiohead e lá jovens de 16 anos me reconheciam e falavam o nome de todos os nossos discos. Desde o lançamento do álbum Bêbado Groove, em 2006, a geração do MySpace e YouTube nos descobriu”, avalia o cantor. “A molecada fica na frente do palco e o povo das antigas no fundão.”

DIVIRTA-SE

Mundo Livre S.A. Hoje e amanhã, no CB Bar. Rua Brigadeiro Galvão, 871, Barra Funda. Tel.: 3666-8971. Meia-noite. Abertura da casa às 22h. De R$ 25 a R$35. 18 anos

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