O fenômeno Nelly Furtado em única apresentação

Baby face de olhos verdes, agradecendo nervosamente à mãe e ao agente, ela passou a perna em Lucinda Williams, Janet Jackson, Faith Hill e Sade e levou o Grammy de melhor cantora pop, em fevereiro. Pouco mais de dois meses depois, eis que chega ao Brasil a autora de tal façanha, a pequerrucha cantora canadense Nelly Furtado.Ela canta esta noite no Directv Music Hall. Filha de pais açorianos, da Ilha de São Miguel, ela fala português sem problemas e adora capoeira, berimbau e bossa nova. "Eu me sinto universal falando português", disse Nelly, em entrevista ao Estado na quinta-feira, por telefone. "O mundo todo conhece a música e a cultura brasileira e eu me considero parte dessa cultura - quando a seleção do Brasil joga, somos todos brasileiros", afirmou.Nelly Furtado nasceu em Victoria, British Columbia, filha do comerciante Antonio José Furtado e da camareira Maria Manuela. Aos 15, já cantava. "Escrevi todas as letras e música do meu primeiro disco", lembra. Contratada da DreamWorks, a companhia de Steven Spielberg e David Geffen, ela conta que não teve moleza e comeu o pão que o diabo amassou para chegar onde está."Tinha de bater em todas as portas dia após dia, atrás de programadores de rádio e disc jóqueis", conta Nelly. "Mas eu tinha muita fé no meu trabalho e valeu a pena", considera a cantora, que toca no Brasil com uma banda de seis integrantes - guitarra, baixo, bateria, dois vocalistas e um DJ."Nunca faço play-back, sempre canto", ela diz. "Não aprendi a ser performer, apenas sei cantar, o instrumento que uso é minha voz, então não finjo jamais", conta. Ao analisar o motivo do seu sucesso com apenas um disco, Whoa, Nelly! (2000), ela considera que o principal motivo é sua multiculturalidade."Fui criada no Canadá, filha de pais de origem portuguesa, fiz um disco muito influenciado pela cultura brasileira e também gosto de hip hop e música eletrônica", diz. "Acho que o respeito e um pouco de intimidade com outras culturas faz com que mais pessoas me entendam e compreendam o que canto", diz.Nelly Furtado está escalada para o agora temido festival de Roskilde, na Dinamarca (recentemente, houve uma tragédia lá e alguns fãs morreram durante um show). Ela não tem receio. "Eu cantei em Woodstock, para uma platéia de 12 mil pessoas e sei que tudo depende de uma boa organização, com mais polícia, mais segurança", considera. "De qualquer modo, minha música não é agressiva, é mais positiva, tem outro apelo."Expectativa - Nelly demonstra estar muito animada - e ansiosa - pelo primeiro show no Brasil. "Só estive aí nos meus sonhos", disse ela, que confessa grande paixão pela música de Caetano Veloso ("Ele tem uma voz linda que diz tudo, não precisa ser um performer", comenta) e também pela geografia.Whoa, Nelly! vendeu cerca de 4 milhões de exemplares. A canção que lhe rendeu o Grammy, I´m Like a Bird, toca no mundo todo, da Nova Zelândia à Cidade do Cairo. O New York Times, ao desenhar um perfil da cantora canadense, levantou a lebre: será que Nelly passa pelo teste do segundo disco?"O negócio da música é especialmente cruel com jovens cantoras - como Lisa Loeb, Edie Brickell e Jewel", escreveu Bernard Weinraub. Nelly Furtado não demonstra preocupação. "Acho que sempre terei fãs", diz. "E tudo que tenho de fazer é tentar escrever canções fortes, com inspiração, com melodias fortes e mensagens positivas, além de trabalhar muito", declara.Ela tem sido paparicada pela mídia, até por causa de sua fachada legal, com um rosto de bonequinha, gestos expansivos e uma simpatia inegável. A Rolling Stone dedicou-lhe uma capa. Também esteve várias vezes nos talk shows mais badalados, como o Tonight, de Jay Leno, e o Late Show, de David Letterman."Ter ganhado o Grammy foi uma coisa muito grande para mim", diz. "Se eu parasse para pensar, ficaria muito nervosa, porque havia milhões de pessoas vendo", conta. "Eu só pensei: uau, que momento de minha história, uma coisa que eu nunca vou conseguir descrever."Fã, na infância, de Billy Joel, Blondie e Lionel Richie, e, na adolescência, de Mariah Carey, Mary J. Blige e Smashing Pumpkins, ela achou o próprio lugar no espectro do pop. Que não é tão enfronhado como a folk music, como o caso de sua conterrânea Alanis Morissette. "As letras dela são muito pessoais", afirma Nelly. "Acho que ela é um enigma, uma pessoa misteriosa e que faz uma música boa - é o que penso."Nelly Furtado. Hoje, às 21h30. R$ 30,00 (pista) e R$ 50,00 (camarote). Directv Music Hall. Avenida dos Jamaris, 213, tel. 5643-2500. Patrocínio: Volkswagen Bora.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.