O espírito antigeracional dos Killers

Para Brandon Flowers, líder do grupo de Las Vegas, pauladas da crítica só serviram para fazer a banda crescer

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2009 | 08h25

Brandon Flowers liga para a reportagem do Estado às 20h45 de uma quarta-feira. Está em trânsito, literalmente - dá para ouvir o barulho do carro em movimento.Tem 28 anos, não bebe álcool, não fuma, é mórmon, tem dois filhos (um de 2 anos, outro de 2 meses). Juntou-se a uma banda em Las Vegas em 2004 e hoje ele e seus parceiros contabilizam 14 milhões de discos vendidos (em plena era da extinção do disco).

 

DÂNDIS DE VEGAS - Grupo de rock que já vendeu mais de 14 milhões de discos e foi indicado para um Grammy está no terceiro álbum e lota estádios pelo mundo todo

 

Brandon Flowers é o vocalista da banda The Killers, um rapaz de pouca estatura e muito carisma que se tornou um dândi do rock, cortejado por milhões de garotas em qualquer buraco onde vá. Mas não é muito solícito com as garotas, e não é por isso que você está pensando: é que casou com uma balconista de Las Vegas, Tana Munblowsky, em agosto de 2005, e busca evitar encrenca.

 

Veja também:

linkO pandemônio otimista do Pet Shop Boys vai invadir o Brasil

link'Só há futuro para quem corre riscos'

linkFranz Ferdinand 'inventa' sistema de distribuição musical

Não é um cara de meias opiniões - criou polêmica ao declarar que odeia as bandas emo e tem às vezes um comportamento meio messiânico. “Você não pode salvar o mundo com o rock, mas pode tentar”, diz. “Straight” na vida cotidiana, diz que é saudável como um cavalo e que beber álcool conflita com aquilo que aprendeu quando foi criado como mórmon. “A música ocupa o lugar da bebida para mim. Acho melhor escrever música ou tocar teclado num quarto de hotel às 2 da manhã do que ir a uma festa.”

No dia 10 de novembro, será lançado o primeiro DVD dos Killers, que chega aqui pouco antes da banda. Live From the Royal Albert Hall é um show gravado no teatro homônimo de Londres em som 5.1 surround, e que traz um CD bônus, além de versão em blu-ray. A banda já veio ao Brasil para o TIM Festival, tocando no Anhembi, e retorna para um disputado show único na Chácara do Jockey. O rapaz da gravadora chama meia hora antes e diz que, por conta da agenda apertada, agora tenho apenas 10 minutos. Mas a gente vai levando e consegue uns 20 minutos com o líder do Killers.

Como você definiria a sua geração, Brandon?

Não sei. É estranha, um pouco confusa. Não quer saber de onde veio, não tenta entender quem é. Não sei quem somos de verdade. Falo dos amigos e de minha vida em algumas músicas, mas não tenho pretensão de fazer um retrato da minha geração.

 

Mas você já disse que sua ambição é capturar o espírito de sua época com suas canções.

Não é possível capturar o espírito de uma época completamente, apenas descrever como a gente se sente em relação a ele.

 

Como é que você explica que a sua banda consiga vender tantos discos numa época em que pouca gente compra discos?

Não sei. Temos sorte, talvez. É muito difícil hoje em dia manter-se em evidência. Não sei o que acontece, mas sempre que nós temos um trabalho novo, as pessoas param e prestam atenção ao que fazemos. Temos um trabalho honesto e dedicado.

Nem sempre a crítica pega leva com vocês. O segundo disco, Sam’s Town (2006), foi triturado, mas ainda assim você disse que as críticas negativas foram boas para vocês. Por quê?

Foi muito rude e dura a crítica. Não concordo com grande parte do que disseram, mas achei que aquilo foi muito bom, porque me impeliu a buscar um aprimoramento, a fazer autocrítica, a tentar me superar.

Você toca teclados em seu show, mas The Killers não é uma banda que explora um lado tecnológico.

Não amo a tecnologia. Usamos apenas o que é fundamental para ter um show redondo, sem imprevistos. A tecnologia é uma boa aliada nesses casos. Mas não é necessário o seu uso o tempo todo. Não sou um grande fã de gadgets tecnológicos.

O que espera para esses novos shows aqui no Brasil?

É sempre uma turnê alegre. As pessoas têm sido sempre agradáveis com a gente na América do Sul. Adoro o Rio de Janeiro, sempre que a gente vai ao Rio eu fico fascinado com a paisagem, com a alegria. O show na Marina da Glória foi muito especial.

 

Números

 

5indicações

para o Grammy teve a banda no primeiro ano de existência

 

2meses

de idade tem o segundo filho de Brandon Flowers

 

17canções

tem Sawdust, coleção de lados B dos Killers

Tudo o que sabemos sobre:
Killers

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.