O DJ Mau Mau mostra a intimidade de sua produção musical

Maurício Fernando Bischais, o DJ Mau Mau, reúne em seus 39 anos, 21 deles de música eletrônica, dedicação irrestrita à descoberta de sons, estilos e influências. Em seu apartamento no bairro do Paraíso, em São Paulo, (veja o vídeo), ele recebe a reportagem do Portal Estadão antes do lançamento do seu segundo álbum-solo, Art, Plugs and Soul, e mostra por que é o pioneiro da "e-music" no Brasil. A produção do CD, segundo o DJ, reproduz o conceito do disco: intimismo. Com estúdio próprio e o auxílio de microfone, computador, teclado e softwares sofisticados, Mau Mau obtém a liberdade para criar. "Acordava inspirado e não tinha mais aquela burocracia de marcar horário na gravadora", disse. Cercado por uma estante de discos separados por estilo, o DJ produz e prepara o que vai levar para as pistas. "Estou sempre estudando e tentando criar uma maneira de fazer meu trabalho sem copiar o que já existe." Apesar de bons DJs não necessariamente tornarem-se bons produtores, Mau Mau pesquisou e conquistou o público através de projetos pioneiros como o M4J, em que introduziu a música eletrônica em harmonia com sons mais acessíveis, e o histórico carnaval de 2000, em Salvador, onde tocou ao lado de Daniela Mercury. "Depois de alguns anos sendo DJ, acho que é um caminho natural querer produzir o próprio som e de alguma forma dar uma personalidade para esse estilo de música", diz. A identidade do Art, Plugs and Soul é leve, propositalmente mais calma e densa. Nele, Mau Mau faz uma retrospectiva de sua densa carreira - ele já foi até bailarino. Expande o conceito de música eletrônica além do "bate-estaca". O produtor ressalta que o conceito do álbum não é colocar todo mundo para dançar; tampouco animar a noite. "Existem outras vertentes e maneiras de se expressar com música eletrônica. Você pode ouvir no carro, na sala, em um bar mais descolado, em uma reunião com os amigos", explica. Mas, embora tenha buscado uma atmosfera de lounge, com gaita, piano, jazz e blues nas primeiras faixas, o álbum não deixa para trás o DJ Mau Mau e evolui até a última música como um set. Prova disso são as quatro faixas de bônus em mp3, mais dançantes. Outra novidade do DJ é deslanchar uma carreira como VJ. Após assistir a demonstrações com vídeo fora do Brasil, quer encadear imagem e som. "Estou cada vez mais fascinado pelo modo como uma linguagem influencia a outra", afirma. A noiteMau Mau foi um dos idealizadores da volta do Hell´s Club - lendário after-hours que fez história na música eletrônica em meados da década de 90, onde ele se apresentava. Todos os domingos, desde 2006, Mau Mau "revive" o Hell´s no Vegas e não esconde sua satisfação de DJ. "Era um projeto que, no começo, preferi que ficasse no passado. Mas, embora não seja a mesma época, ainda é um espaço para experimentar o que o público realmente quer ouvir: músicas novas." O DJ prepara um case de 160 discos para o clube e diz que não tem uma programação certa. "Sempre levo o que estou ouvindo, coisas diferentes e começo a brincar". Em outros espaços, Mau Mau tenta se adaptar, mas fugir do óbvio. "Electro-house é um som que está na moda, eu posso até ter uma influência porque acompanhei tudo isso, mas não vou chegar numa pista e tocar 10 hits." Confira as próximas apresentações do DJ: Clube A Loca Quando: 16-02. Quanto: R$ 25. Onde: Rua Frei Caneca, 916. Tel.: (11) 3159.8889 Hell´s Club - Vegas Quando: 24-02. Quanto: R$ 25. Onde: Rua Augusta, 765 - Consolação.Tel.: (11) 3231-3705

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