O dia em que SP se transforma em New Orleans

Bourbon Street Fest é uma parada ao estilo sulista americano que festeja o som das brass bands e das orquestras de rua de Nova Orleans, que tocam em festas, funerais batizados, casamentos e onde mais forem requisitadas. Essa tradição surgiu na virada do século 19 para o século 20 e tornou-se parte do jeito de viver de Nova Orleans.Essa farra diferente incorpora-se ao calendário musical paulistano pelo terceiro ano consecutivo. O Bourbon Fest começa no domingo, ao meio-dia, de graça, na Praça da Paz do Parque do Ibirapuera, com apresentações da New Orleans All Stars Brass Band, além do multiinstrumentista Chucky C. e da cantora Lisa Lee e do pianista Davell Crawford. O Bourbon Street Fest prossegue durante toda a semana e fecha a parada à moda da Louisiana no domingo, dia 28, com outro show gratuito na Rua dos Chanés, sede do Bourbon Street Music Club. Não é só música que esquenta o Bourbon Fest. As comidas cajun e creole, típicas das regiões sulistas americanas, forram os estômagos durante a temporada na já tradicional casa de Moema. A banda escolhida para abrir e fechar o Bourbon Fest é uma seleção de alguns grupamentos do tipo em Nova Orleans: os grupos Soul Rebels, Rebirth Brass Band e Lil´Rascals Brass Band, sob a direção de Corey Henry. O Bourbon Street idealizou o Bourbon Fest em 2003, para marcar os festejos dos 10 anos da casa de shows. Quem quiser saber qual é sua essência desse tipo de farra, basta ouvir uma canção que Louis Armstrong e Cab Calloway tornaram famosa, I´ll Be Glad When You´re Dead, You Rascal You. Este ano, vários nomes jovens ligados a essa mitologia estarão em cena, como o pianista Davell Crawford, de apenas 30 anos, neto do grande astro de R&B dos anos 50, James "Sugar Boy" Crawford. Atribui-se ao jovem Crawford o fato de ter se reacendido uma tradição de piano em Nova Orleans que remete aos mitos Professor Longhair e James Booker. Outro nome que vai se destacar é o do cantor John Boutté autor da canção Down in the Treme - que narra o espírito e o trajeto da música num dos bairros mais famosos de New Orleans, o Treme. Boutté servia no exército americano quando foi descoberto por Stevie Wonder, que o encorajou a usar sua voz como arma. Novidade também é o acordeonista Terrance Simien, que traz um tradicional zydeco (gênero sulista primo do blues, mais festivo, e que lembra o forró brasileiro) infectado pelos germes do R&B, soul, funk, gospel e reggae. Aos 39 anos, Simien retrabalha a tradição sem descaracterizá-la. Outra jovem estrela na novíssima música de Nova Orleans é Ivan Neville, tecladista e cantor, egresso do clã dos Neville (é filho de Aaron Neville). Ele começou sua carreira ao lado de Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones, e vem a São Paulo a bordo de sua banda Dumpstaphunk, cujo nome já diz tudo. Além destes, há o grupo The Heroes de Tony Hall, baixista da Dave Mattews Band, o encontro de Chucky C. e Lisa Lee e o trompete de Corey Henry. Tony Hall tem história. Em 1988 apareceu em Nova Orleans um cantor aborrecido, procurando o produtor Daniel Lanois. O cantor era Bob Dylan, que não gostara do resultado de seus dois álbuns anteriores. Lanois estava produzindo um disco para os Neville Brothers, que Dylan escutou. Quis aquele mesmo "som de pântano" no seu próximo álbum e recrutou Tony, Willie Green e Brian Stoltz, da banda dos Neville para tocar consigo. O resultado é Oh, Mercy, um dos clássicos de Dylan (Tony pode contar essa história de novo). Bourbon Street Fest. Parque do Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/n.º, portão 3. Domingo, a partir das 12h30. Grátis

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