Gabriela Biló/Paulo Liebert/Estadão
O baixista dos Titãs, Branco Mello, e o vocalista do Capital Inicial, Dinho Ouro Preto Gabriela Biló/Paulo Liebert/Estadão

'O dia do rock mais morno da história': como os roqueiros estão encarando a data na pandemia

Saudades dos palcos, festivais online e composições no isolamento fazem parte do novo cotidiano dos roqueiros

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2020 | 08h00

O rock, enquanto gênero musical, sempre foi associado à postura rebelde e ao enfrentamento das convenções. Trilha sonora de alguns dos principais momentos de transformação social do século 20, o estilo “morreu” e se reinventou diversas vezes ao longo das décadas, mas nunca deixou de ser o som do inconformismo. Desde 1985, quando foi realizado o Live Aid, evento que reuniu figurões da música pop para combater a fome na África, é celebrado o Dia Mundial do Rock na data em que os shows ocorreram, 13 de julho, sempre com direito a grandes espetáculos em tributo a esse gênero. Não em 2020. 

Com o estouro da pandemia da covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, shows, festivais e eventos foram cancelados. Aglomerações, antes almejadas, agora são sinônimo de risco à vida. Nesse cenário catastrófico, a celebração do Dia Mundial do Rock passou para o ambiente digital, onde as pessoas podem se reunir de suas casas sem perigo de contaminação.

“Com certeza vai ser um Dia Mundial do Rock totalmente diferente de todos os que já aconteceram”, afirma Branco Mello, vocalista e baixista dos Titãs. “Quem quiser comemorar essa data vai ouvir os seus discos preferidos, vai procurar na internet as melhores lives para assistir e não vai deixar de comemorar.”

Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, concorda: “Acho que esse vai ser o Dia do Rock mais morno da história dessa data. Acho que o rock precisa de uma conexão com as pessoas, a energia vital vem do contato. Daí que vem a visceralidade e a adrenalina do rock.”

Uma série de apresentações transmitidas ao vivo pela internet foram ao ar desde o dia 10 de julho para celebrar a data e não deixar a ocasião passar em branco. No Brasil, bandas como Sepultura, Angra, Planet Hemp, Raimundos, Roupa Nova, Matanza, Far From Alaska, Massacration e muitas outras brindaram os fãs com as chamadas lives, para entretê-los em casas nesse momento de quarentena.

Além das bandas, a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo vem promovendo, ao longo de todo o mês de julho, uma programação especial voltada para os amantes do rock, com lives e eventos on-line. Afinal, mesmo o roqueiro, sempre identificado com a rebeldia, precisa se proteger.

“Eu acho que o rock sempre esteve ligado a essa coisas da rebeldia, da renovação da atitude. E, no momento atual, ficar em casa, quem puder, é claro, não é uma questão de rebeldia, é uma questão de necessidade”, afirma Branco, que se apresentou com os Titãs na Superlive Nerd Rock, transmitida pelo canal Omelete nesse domingo, 12, em mais um evento virtual em tributo à data. 

Sobre o que os músicos mais sentem falta nesse período, Branco não hesita: o contato direto com o público é o que dá saudades. Após conversar com outros artistas, Dinho revela que eles estão sentindo falta de tudo, “até dos perrengues”. “As horas e horas de trânsito até o local do show, os hotéis ruins, os restaurantes meia-boca, as passagens de som intermináveis, tudo o que envolve a produção de um show. As pessoas estão sentindo falta até dos aspectos de que a gente estava acostumado a ficar se queixando, tão sedentas que estão por voltar a trabalhar.”

Apesar dessa situação imposta por uma circunstância sanitária extraordinária, tanto Branco quanto Dinho se mantêm otimistas: “O rock vem se reinventando desde que nasceu e não vai ser diferente agora”, acredita o astro dos Titãs. “Se há algo de positivo que possa ter saído da pandemia talvez seja o fato de os músicos terem ficado confinados e talvez composto grandes letras, grandes músicas”, aposta Dinho. 

O frontman do Capital Inicial, aliás, lembra que estava ouvindo o Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, disco seminal dos Beatles lançado em 1967, depois que o Quarteto de Liverpool havia parado de fazer shows, em 1966. “É um dos momentos mais ricos em termos de canções e de construção de repertório da história do rock. Guardadas as devidas proporções, é possível que as bandas, tendo ficado em casa, acabem vindo à tona as gravações, quando isso tudo vier a ser registrado, é possível que esse se revele um dos momentos mais férteis. Eu tenho esperança que de fato esteja todo mundo trabalhando em casa e que esse grande período de introspecção sirval talvez como um terreno fértil. Espero que sim, nós descobriremos daqui a alguns meses.”

 

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Por que o Dia Mundial do Rock é celebrado em 13 de julho?

Data celebra um dia histórico para o rock e para a música pop em geral

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2020 | 08h00

Muito antes do universo da pandemia e das lives beneficentes, quando aglomerações eram comuns e até almejadas, um eventou marcou a história da música pop - e do rock - para sempre. Em 1985, o Live Aid reuniu alguns dos maiores nomes da música mundial da época a fim de arrecadar fundos para auxiliar o combate à fome no continente africano. E é por causa dessa iniciativa que se comemora o Dia Mundial do Rock em 13 de julho.

O Live Aid foi organizado pelo cantor irlandês Bob Geldof e era uma empreitada ambiciosa: dois festivais em estádios lotados, um no John F. Kennedy Stadium, na Filadélfia, EUA, e o outro no lendário Wembley Stadium, em Londres, Inglaterra. Além dos cerca de 80 mil espectadores em cada, havia uma plateia estimada em 2 bilhões de pessoas pelo mundo inteiro assistindo aos concertos pela televisão.

Entre os artistas que participaram do Live Aid estão: Queen, Paul McCartney, U2, The Who, Elvis Costello, Sting, Phil Collins, Dire Straits, David Bowie, Elton John, B.B. King, Black Sabbath, Judas Priest, The Beach Boys, Santana, Kool & The Gang, Madonna, Neil Young, Eric Clapton, Crosby, Stills, Nash & Young, Mick Jagger e até uma reunião do Led Zeppelin.

A apresentação do Queen, aliás, foi tão icônica que ganhou uma adaptação quase quadro a quadro na cinebiografia Bohemian Rhapsody, com Rami Malek no papel de Freddie Mercury.

O Live Aid ocorreu em um período de ouro para os super-festivais. Impulsionados pelo mítico Woodstock, realizado em 1969, os festivais passaram a ganhar força e corpo na década de 1970 até se moldarem como um formato gigantesco, reunindo grandes nomes da música, como conhecemos hoje.

Iniciativas de caridade envolvendo a reunião de astros também estavam em voga na época: em 1971, George Harrison organizou o Concert for Bangladesh; em 1979, Paul McCartney encabeçou o Concert for Kampuchea; em 1984, um ano antes do Live Aid, ocorreu o Band Aid, que reuniu estrelas da música para gravar Do They Know It’s Christmas?; pouco tempo depois, Michael Jackson, Stevie Wonder e Lionel Richie se inspiraram na ideia para We Are the World.

O sucesso do Live Aid foi tamanho que chega a ser difícil calcular quanto se arrecadou ao todo com os shows. As estimativas partem em 40 milhões de libras e chegam à casa das 150 milhões de libras. Pela iniciativa, Geldof chegou a ser indicado ao Prêmio Nobel da Paz. Além, é claro, de ter inspirado a criação do Dia Mundial do Rock na data em que ocorreu seu evento.

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Dia Mundial do Rock: confira as lives que celebram a data no fim de semana

Transmissões ao vivo levam o gênero mais rebelde da música aos fãs enquanto os shows não

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2020 | 15h04

O dia mundial do rock é comemorado em 13 de julho, e, com a suspensão de shows e eventos musicais, várias lives celebram a data neste fim de semana. O Estadão selecionou algumas das transmissões ao vivo que prometem agitar o universo roqueiro.

Sexta-feira, 10/7

Ronaldo Estevam - 18h

Em voz e violão, Ronaldo Estevam passeia por seu repertório autoral em transmissão ao vivo na página do Facebook da Casa de Cultura Butantã, como parte de uma programação especial da Prefeitura de São Paulo para o mês do rock.

Isaias Jacinto Teixeira - 20h

Também na página da Casa de Cultura Butantã, Isaias Jacinto Teixeira toca o melhor de seus 20 anos de carreira em live intimista.

Roupa Nova - 21h

O Roupa Nova desfila seus sucessos de quatro décadas de carreira em um show drive-in no Espaço Hall, no Rio de Janeiro, que será transmitido ao vivo nesta sexta-feira, 10, pelas redes da banda.

Pink Floyd

Durante a pandemia, toda sexta-feira a banda britânica de rock progressivo Pink Floyd está disponibilizando vídeos de apresentações raras em seu canaldo do YouTube.

Sábado, 11/7

Statues on Fire - 19h

A banda de punk rock Statues on Fire se apresenta na página do Facebook da Casa de Cultura São Rafael, também como parte da programação especial promovida pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Ricardo Palmeira - 20h

Henrique Filho entrevista o ex-guitarrista de Cazuza, Ricado Palmeira, a partir das 20h deste sábado em uma transmissão da Voz Ativa. 

Domingo, 12/7

Os 13 - 17h

Comemorando o dia do rock na página do Facebook da Casa de Cultura Itaim Paulista, a banda Os 13 toca os sons de seus dois primeiros discos ao vivo.

Super Live Nerd Rock - 18h

O evento, que será transmitido pelas redes do Omelete, reunirá bandas brasileiras de rock, como Matanza, Sepultura, Angra, TitãsOs Mutantes, Far From Alaska e Massacration.

Festival Rock em Live - 18h

A banda de rock Maria Fumaça e a cantora Uiara Leigo são as atrações do Festival Rock em Live, que poderá ser assistido no Facebook da Casa de Cultura Itaim Paulista.

Ururai Sound - 20h

Com participação de Ronaldo Ferro e Gabriel Tavares, a transmissão será feita pela página do Facebook da Casa de Cultura São Miguel Paulista.

Segunda-feira, 13/7

Especial dia do Rock - 18h

A banda punk Cólera, os metaleiros do Cerberus Attack e o som do hardcore da Gritando HC serão as atrações do Especial Dia do Rock, na página do Facebook da Casa de Cultura São Mateus.

Planet Hemp e Raimundos - 20h

O Festival Planeta Brasil reunirá duas bandas brasileiras, Planet Hemp e Raimundos, uma no Rio de Janeiro e uma em São Paulo, em uma transmissão para celebrar o dia do rock que poderá ser assistida pelo YouTube e pelo canal 500 da Claro TV.

Felipe Machado - 20h

Felipe Machado, escritor e guitarrista da banda Viper, e Oscar Garcia, especialista em literatura e bibliotecário da escola Sesi, participam nesta segunda-feira, 13, de uma live no Instagram da editora Sesi-SP dialogando sobre literatura e rock.

Metallica

A banda americana de thrash metal Metallica vem disponibilizando na íntegra shows históricos do grupo em sua conta no YouTube todas as segundas-feiras. 

 

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