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O coração da cantora Maria Rita volta a batucar em São Paulo

Depois do turbilhão de sentimentos provocado pelos 70 anos da mãe, Elis Regina, a artista se apresenta em São Paulo

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

09 Maio 2015 | 11h00

RIO - Passado o tsunami de amor e lembranças desencadeado pelos 70 anos de nascimento de Elis Regina, Maria Rita chega neste sábado, 9, a São Paulo com o show Coração a Batucar, que celebra seu bem-sucedido retorno ao samba. “Eu gostaria de ter ficado quietinha no meu canto, mas teve tanto pedido de entrevista, que me fiz presente (no dia 17 de março, aniversário da mãe, ela postou uma homenagem no Twitter). Eu acho muito bonito o carinho em torno dela, é como se as pessoas dissessem para mim: ‘não é só você que está sentindo’. Tive que dar uma pausa no meu trabalho por isso”, contou a cantora, que acredita que Redescobrir, o projeto de 2012 com repertório de Elis, alargou esse caminho entre os fãs de uma e de outra.

Vencedor do Grammy Latino de melhor álbum de samba de 2014, Coração a batucar é o sexto CD de uma carreira bem-sucedida de 13 anos – que soma outros dez troféus do Grammy Latino e mais de 5 milhões de CDs e DVDs vendidos no Brasil, e tem média de 100 shows por ano. Saiu em 2014, e o show cruzou o Brasil, a América Latina, a Europa e os Estados Unidos. 

Ela está lançando uma edição especial com um DVD, e é esse espetáculo que leva ao recém-inaugurado Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740, Campos Elíseos) – os ingressos estão esgotados. O DVD traz um registro ao vivo, para pequeno público, de nove sambas, alguns feitos para sua voz, caso de Meu Samba, Sim, Senhor (Fred Camacho/Marcelinho Moreira/ Leandro Fab), É Corpo, É Alma, É Religião (Arlindo Cruz/Rogê/Arlindo Neto) e No Mistério do Samba (Joyce Moreno), e regravações, como Saco Cheio (Dona Fia/Marco Antônio) e Vai, Meu Samba (Noca da Portela/Sergio Fonseca). Rumo ao infinito (Arlindo Cruz/ Marcelinho Moreira/ Fred Camacho) e Mainha Me Ensinou (Arlindo Cruz/ Xande de Pilares/ Gilson Bernini) são as mais tocadas – e mais tocantes.

“Longe de você me dá saudades”, ela canta, referindo-se ao samba, na abertura do DVD. “Eu não nasci no samba, mas o samba nasceu em mim”, afirma-se, na última faixa. São declarações de amor a um gênero no qual já não se sente visitante.

“Sempre flertei com o samba. Voltar, para mim, teve a ver com a liberdade que adquiri: quem tinha que aceitar aceitou, quem tinha que virar a cara virou. Samba Meu veio de uma paixão, não era oportunista. Eu chegava com muito respeito; agora, já sou meio do samba, não sou uma aventureira”, acredita, citando o CD de 2008, primeira experiência como sambista. À época, quem lhe deu o empurrão encorajador foi Mart’nália, ao lhe convidar para uma participação num show seu.

Maria Rita não descarta que um novo DVD seja originado desse trabalho. Diz que não racionaliza tanto as escolhas de repertório, e que se surpreendeu quando ouviu do presidente de sua gravadora, a Universal, José Eboli, que “é uma artista de obra”. 

“Ele disse: ‘você vende tudo, físico, digital, é disco inteiro, não uma faixa só’”, relata. “Eu não penso assim ‘essa música vai tocar muito, essa vai virar um hit radiofônico’. Não penso em marketing, e por uma limitação minha mesmo. Eu poderia estar ganhando muito mais dinheiro se fizesse dessa forma”, brinca a cantora.

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