O baú inesgotável de Tupac Shakur

Se todos os artistas mortos deixassemlegados como o de Tupac Shakur, a indústria da música não teriade se preocupar com crises. O rapper assassinado em 1996 ganhaseu sexto disco póstumo, Better Dayz, que chega ao mercadono dia 26. A expectativa é que o trabalho consiga repetir osucesso de Until the End of Time, lançado no ano passado,que estreou no primeiro lugar da parada da Billboard e teve3 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos. Shakurjá é considerado o artista de hip hop mais bem sucedido dahistória, de acordo com os números computados pela RecordingIndustry Association of America.Se fora dos Estados Unidos o rapper é mais conhecido pelomistério que até hoje cerca sua morte, no país a música aindacontinua inspirando o público e outros artistas - e rendendomuito dinheiro. Ao todo foram 33 milhões de álbuns vendidos emuma carreira de dez anos, dos quais ele participou ativamenteapenas de quatro. Estão previstos para os próximos tempos umasérie de novos projetos, todos coordenados pela mãe do artista,Afeni Shakur, uma ex-integrante dos Panteras Negras que passouvárias temporadas na prisão e foi viciada em crack.Afeni está por trás do filme inspirado na vida do filho, quechega aos cinemas americanos na metade de 2003 via MTV Films. Olançamento vai ser acompanhado de uma trilha sonora e um livro.Ela também está planejando uma fundação/museu dedicada aotrabalho de Shakur e, claro, novos lançamentos musicais.Better Dayz reúne faixas inéditas que haviam sido gravadasentre 1994 e 1996 e que foram retrabalhadas por váriosprodutores e ganharam as participações de nomes variados damúsica black americana, como Trick Daddy, o grupo The Outlawz, oex-modelo Tyrese e a cantora Mya. O disco vai ser promovido comum single, Thugz Mansion, e um clipe, da faixa MyBlock.Nos últimos meses, o nome de Shakur também voltou à imprensapor conta de uma reportagem especial do jornal LosAngeles Times que alegava que o rapper foi morto por seuarqui-inimigo Notorious B.I.G., assassinado em 1997, emcircunstâncias similares. B.I.G. teria contratado uma ganguepara o "serviço". A família dele negou as acusações.Shakur também é alvo de outro episódio polêmico: a faixa Meand My Boyfriend, que ele gravou no início dos anos 90, voltouà tona em dose dupla. A cantora Tony Braxton incluiu umaregravação da música em seu novo disco, More Than a Woman,só que o rapper Jay-Z também convidou a cantora do Destiny´sChild, Beyoncé Knowles, para um dueto da mesma faixa, queaparece no disco dele, Blueprint 2: The Gift and the Curse.Braxton, que ainda tenta se recuperar de problemas financeiros,disse em uma entrevista à uma emissora de rádio nova-iorquinaque Jay-Z está "tentando roubar" o dinheiro dela.Controvérsias sempre marcaram a carreira de Shakur. Entre 1992 e1995 ele foi preso várias vezes e acusado de agressão a uma fã;da morte acidental de um menino de 6 anos; de atacar o diretordo filme Perigo Para a Sociedade, no qual iria fazer umaponta; e planejar o assassinato de dois policiais, entre outrascoisas. Várias das acusações foram depois arquivadas, mas elefoi condenado a quatro anos e meio de prisão por violar aliberdade condicional. Ele cumpriu apenas oito meses da pena.Afeni Shakur defende a teoria de que sempre houve umaconspiração contra o rapper, comandanda pelas gangues da CostaLeste (Tupac era um dos líderes da cena do gangsta rap daCalifórnia) e da polícia. Ela também garante que ele "pagoupelos erros" e que nunca mais havia se envolvido em problemas.Para tentar reforçar a inocência do filho, ela tem sido a forçaprincipal por trás dos lançamentos de Shakur. "Vamos continuardivulgando para sempre a mensagem de paz que ele deixou", dizela. Ao que tudo indica, os fãs continuam dispostos a ouvir.

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