O barítono Laurent Naouri e sua grande surpresa

É dele um CD de 2007, ‘Round about Bill’, que oferece uma maravilhosa viagem musical inspirada nas canções de Bill Evans

João Marcos Coelho, Especial para O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2014 | 13h06

 Já deve ter acontecido alguma vez com você. Quando uma performance em concerto me impacta muito, pesquiso em busca de gravações que iluminem outras facetas de um talento admirável que vi ao vivo.

Principalmente quando a surpresa fica por conta de um coadjuvante. Foi o que aconteceu comigo na noite de 3 de agosto passado na Sala São Paulo, quando a badalada diva Natalie Dessay apresentou-se em recital. Trouxe a tiracolo o barítono Laurent Naouri, seu parceiro musical e na vida a dois. A surpresa ficou para Naouri, excepcional barítono, que deslumbrou o público com uma atuação impecável, no mesmo nível da diva.

Saí garimpando outros registros de Laurent Naouri. E topei com um, saborosíssimo, de 2007. O CD do selo francês independente Sisyphe intitula-se Round about Bill. O Bill do título é o pianista de jazz Bill Evans, que viveu entre 1929 e 1980, deu o tom do piano moderno e é a fonte de 10 entre 10 pianistas de jazz das últimas décadas.

Acompanhado por Manuel Rocheman ao piano, ele nos leva para uma maravilhosa viagem musical.

No folheto interno do CD, Laurent conta como descobriu Evans. “Sempre adorei cantar, mas a ópera só entrou tardiamente em meu mundo, com as primeiras lições de canto. A música vocal para mim, na adolescência, era o jazz. E depressinha Bill Evans ocupou um lugar central em meu universo musical, um lugar do qual jamais saiu.”

Sabe-se que Evans raramente acompanhou cantores – a exceção foram os dois discos com Tony Bennett. Naouri fica no mesmo nível.

Construiu três eixos em torno do universos musical de Evans: seu standards favoritos, como My Romance e But Beautiful; os temas menos conhecidos e que Evans era o único a tocar com regularidade, como Up With the Lark, You Must Believe in Spring e a brasileira Minha; e suas próprias composições.

O primeiro bloco, o que recebe performances mais emocionantes, é preenchido com temas de Bill Evans, nas quais Gene Lees, Janice Borla, Bob Dorouch, Carol Hall e Roger Shore colocaram letras. Pela ordem, Waltz for Debby, Five, Laurie, Very Early, Turn out the Stars e Only Child.

Sente-se até o perfume impressionista nas criações de Evans, influenciado por Bach, Fauré, Ravel e Debussy.

Entre os standards, destacam-se You Must Believe in Spring, de Michel Legrand, amada por Evans a ponto de ele incluí-la em praticamente toda apresentação; e But Beautiful, canção de Jimmy Van Heusen lançada no filme Road to Rio (A Caminho do Rio), de 1947, imortalizada por Bing Crosby e Dorothy Lamour. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

  • Stan Lee: todas as 29 aparições nos filmes da Marvel
  • Projeta Brasil do Cinemark apresenta filmes brasileiros por apenas R$ 4
  • Glória Maria faz cirurgia para remover lesão cerebral e passa bem
  • MIS abre novo lote para exposição imersiva de Da Vinci 
  • Mônica San Galo lamenta morte de Jesus Sangalo: 'pode-se morrer de mágoa'

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.