"O Artista e o Tempo" expõe Chico Buarque

O festival 60 anos de Chico Buarque tem segundo tempo a partir e hoje, com a abertura da exposição O Artista e o Tempo, na Biblioteca Nacional, com farto material sobre sua vida e obra, para mostrar como uma influencia a outra. A idéia foi do atual presidente da BN, Pedro Correa do Lago, que convidou o historiador e cineasta Zeca Buarque, sobrinho do compositor, para curador. "A mostra tem organização cronológica, desde os músicos que ele ouviu e os livros que leu desde criança até seu trabalho atual", adianta Zeca, que passou os últimos meses recolhendo material. "Houve enorme boa vontade de todo mundo, inclusive de emissoras de televisão, como a Globo, a Record, a Bandeirantes e a TV Cultura, que cederam sua produção." Ele reuniu documentos que, além de curiosos, formam um mosaico de Chico Buarque. Lá estarão, dentro do módulo de cada época, a história em quadrinhos desenhada por ele ainda adolescente (guardada pela irmã, Ana de Holanda, hoje diretora do Departamento de Música Popular Brasileira da Fundação Nacional de Arte), fotos históricas, como as de Chico com Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Pixinguinha, Donga juntos e/ou em grupos distintos, vídeos dos festivais nos quais ele concorreu (inclusive a vaia ensurdecedora de Sabiá e a aclamação apoteótica de A Banda), bilhetes e cartas dos amigos e manuscritos de músicas, como Retrato em Branco e Preto, a primeira parceria com Jobim. Há também a dedicatória de sua professora na escola americana que ele cursou na Itália, ainda criança, em que ela prevê o escritor (sem adivinhar nele o músico) e uma das cidades imaginárias que ele gosta de desenhar. A família está presente em texto inédito de Miúcha, sua irmã e também cantora; nos livros escritos por seu pai, o historiador Sérgio Buarque de Holanda, e nos que Chico tirava da biblioteca dele, reproduzida em fotografia. Será possível escutar os sambistas ouvidos pelo jovem Chico, que queria ser um deles (Ismael Silva, Noel Rosa, Dorival Caymmi e Ataulfo Alves), e os músicos cuja convivência o influenciou, como Tom Jobim, Vinícius de Moraes (amigo de Sérgio Buarque e freqüentador assíduo de sua casa) e João Gilberto (que foi casado com Miúcha). O futebol, paixão de toda vida, terá um módulo específico, com exposição da camisa de seu time, o Polytheama, fotos de seus ídolos, de sua seleção ideal (até porque é formado por jogadores de épocas diferentes) e do ludopédio, inventado por ele no exílio da Itália e lançado nos anos 70, com o nome de Escrete. "Esse jogo foi criado na Itália, numa época em que seu autor, evidentemente, não tinha mais o que fazer", dizia ele na apresentação. Essa mistura do pessoal com o profissional foi submetida ao homenageado. "Ele nunca disse quero ou não quero, mesmo quando o procurei para ouvir isso", conta o curador. A exposição tem ainda reproduções de cartazes e programas de das peças de Chico Buarque, inclusive as que ele só musicou, como Morte e Vida Severina, seu primeiro trabalho profissional de destaque. No fim, diante de um painel com as capas dos discos gravados por Chico Buarque, dez terminais de computador permitirão ao público ouvir as músicas registradas neles. Só não se definiu seu tempo máximo de uso. "A gente não pensou se será necessário." A exposição dura, no mínimo, três meses. Em agosto, filmes e show compõem uma programação paralela. Às quartas, serão exibidos os longas de ficção baseados na sua obra, A Ópera do Malandro, Estorvo (ambos de Ruy Guerra), Os Saltimbancos Trapalhões (J.B. Tanko) e Benjamim (de Monique Gardenberg). Os documentários de cinema e televisão serão às quintas: MPB Especial (de Fernando Faro, para a TV Cultura), Chico ou o País da Delicadeza Perdida (de Walter Salles e Nelson Motta) e As Cidades (de José Henrique Fonseca). As sextas-feiras serão para shows, com Renato Braz, Mônica Salmaso, Teresa Cristina e grupo Semente e Quarteto Maogani. "Essa parte está em montagem. A Biblioteca Nacional nunca se tinha aberto eventos desse tipo", diz Zeca. "Dependendo do resultado, a gente agenda outros, pois muito material interessante ficou de fora por falta de espaço." Chico Buarque - o artista e o tempo - Biblioteca Nacional (R. México, s/nº, Rio). De seg. a sex., das 10h às 17h; sáb., das 10 às 15h; até outubro. Preço: R$ 4,00.

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