NY comemora centenário do Juilliard School

O respeitado conservatório Juilliard School de Nova York comemora 100 anos de existência, período ao longo do qual formou gerações de virtuoses, astros de cinema e da dança, de Miles Davis a Robin Williams, de James Levine a John Williams, compositor da trilha de Guerra nas Estrelas. Ao longo de todo o ano, exposições e concertos celebrarão o aniversário em Nova York e os alunos da Juilliard farão uma turnê européia durante todo o verão boreal. Em 11 de outubro, o Empire State Building será iluminado com as cores da escola. Tudo começou em 1905, quando Frank Damrosch, afilhado de Franz Liszt, quis oferecer aos americanos o mesmo padrão de formação dos conservatórios europeus, mas rapidamente sua fama superou as fronteiras. Hoje, os estrangeiros são um terço dos 800 estudantes e suas origens variam de acordo com as mudanças do mundo: primeiro alemães, irlandeses e judeus da Europa Central; nos anos 70, coreanos e japoneses, e hoje, chineses. Durante quatro anos, um seleto grupo que passa pelo rigoroso processo de seleção (as admissões são de 7%) se instala em um moderno edifício no coração do Lincoln Center, um imenso centro cultural que a escola divide desde 1969 com a Metropolitan Opera House, o corpo de baile e a orquestra filarmônica da Cidade. "A primeira vez que vim aos Estados Unidos, aos 13 anos, foi pela Juilliard", revelou à AFP o violinista Itzhak Perlman. "Simplesmente me parece a melhor", resumiu, sem rodeios. Em 1959, o violinista prodígio, filho de um barbeiro, deixou sua Israel natal para estudar na Juilliard School, beneficiado com uma bolsa. "Os grandes professores estavam aqui: Ivan Galamian, Dorothy DeLay. Havia uma orquestra, um grupo de música de câmara... Era novo. Em Israel só tinha meus cursos de violino", lembrou. Neste "Hilton" do aprendizado, como Perlman se refere à escola, estão 250 pianos Steinway, seis palcos, além de um estúdio de gravação para música, dança (desde 1951) e arte dramática (1968). Em suas paredes as fotos dos atores Val Kilmer, Kevin Spacey, do compositor William Schuman, lembram das celebridades que passaram por ali. Para Joseph Polisi, presidente da instituição há 21 anos, a escola deve sua fama, em parte, a "uma mistura de espíritos empreendedores e artísticos, que permitiram tornar-nos visíveis para o mundo". A orquestra da Juilliard foi a primeira de um conservatório ocidental a voltar à China, em 1987. Com um passado de prestígio no coração de uma capital cultural, a Juilliard conta ainda com "recursos que permitem oferecer bolsas" aos estudantes, acrescenta Polisi, que mais do que nunca vê seus jovens formandos como "missionários" em uma época em que o American Idol - a versão americana do reality show Fama - "pode se tornar o topo do sucesso musical". "A gente vai onde estão os bons professores", resumiu Itzhak Perlman. Alguns deles passam, como Maria Calles, que deu aulas históricas. Outros ficam 67 anos, como William Vacchiano, de 93 anos, que ensinou Miles Davis e Wynton Marsalis a tocar trompete. "Por que esta fama? Porque a escola atrai os melhores estudantes", disse a pianista Melody Fader, de 29 anos, que teve que interromper seus estudos por dois anos. "Devia amadurecer e não era o lugar para isso. É muito duro para os mais jovens porque é muito profissional, todo mundo é bom e não se tem muita atenção individualizada", explicou. Fader voltou depois para fazer um mestrado. "Estava pronta. E o melhor (de tudo) foi o meu professor", concluiu. Mesmo 50 anos depois, a soprano Leontyne Price lembrou de sua própria mentora. "Minha querida Florence Page Kimball, que me aceitou e me ensinou a cantar. Quando canto, ela está sempre comigo", disse ela à AFP.

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