NY aplaude a semana Caetano Veloso

Foram cinco as noites de Caetano Veloso no Carnegie Hall, em Nova York, na semana passada. Para o crítico do jornal New York Times, Jon Pareles, não foi o suficiente. Em texto intitulado "Um cantor brasileiro revela algumas raízes americanas", Pareles escreve que com seu novo trabalho, A Foreign Sound, os americanos têm a chance de captar o estilo poético do cantor, sua voz suave e sua ousadia ao combinar estilos, pois as canções são todas em inglês.Caetano foi convidado para participar da série Perspectivas, que lhe rendeu dois shows, na sexta-feira e no sábado, e apresentações especiais com músicos brasileiros ligados a ele de alguma forma. Na quarta-feira, foi a vez da Banda Afroreggae, cujo primeiro CD foi produzido pelo cantor; quinta-feira Mart?nália, filha do sambista Martinho da Vila e de Anália da Vila, apresentou seu repertório; e, no domingo, Caetano encerrou sua passagem em Nova York com uma aparição no show de Virgínia Rodrigues, cantora baiana descoberta por ele. O programa incluía ainda a presença do poeta Augusto de Campos, que não compareceu, por problemas de saúde.O ponto alto da programação, no entanto, foram os dois shows de Caetano, em que ele apresentou canções de seus trabalhos antigos e também de seu A Foreign Sound, composto de 23 músicas americanas. Seguindo uma seqüência temática, no primeiro show, Caetano começou com Não tem tradução, de Noel Rosa. Depois, cantou a sua Baby, que mostra a influência das gírias americanas no Brasil, seguida por Diana, de Paul Anka, de onde ele tirou o verso "Baby, I love you."Para Pareles, Diferentemente é um samba novo e gostoso de ouvir. A letra menciona Osama, Condoleezza e tem a frase, em inglês, "When you look at me I don´t know who I am" (Quando você olha para mim, eu não sei quem sou). O tema relacionando a estrangeiros continuou com a mistura de Manhattan, de Rodgers e Hart, com Manhatã, do próprio Caetano, prevendo a ilha tomada por indianos. Na seqüência, ele cantou O Estrangeiro, com The Carioca, uma fantasia do filme de Fred Astaire Voando para o Rio.Tendo feito seu tributo à música norte-americana, Caetano convidou David Byrne, a quem ele chamou de "meu cantor americano preferido" para dividiro palco. Mais uma vez, Caetano cantou Manhattan com Manhatã. Ele também cantou The Revolution, de Byrne, que revelou tê-la feita a partir de Manhatã. Mas Caetano cantou mais de suas próprias músicas. Diferentes como são, ficou claro que Caetano e Byrne se entendem e que gostaram de cantar juntos, com a justaposição de Terra, do brasileiro, a Heaven, do americano.

Agencia Estado,

19 de abril de 2004 | 13h14

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.