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Misha Vladimirskiy | Reprodução | Facebook oficial
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N.W.A. e Kendrick Lamar fazem história no festival Coachella 2016

Noite do festival californiano ainda tem destaques de Courtney Barnett, Deerhunter e da banda Unknown Mortal Orchestra, que se apresentará em São Paulo

Felipe Hirsch, Especial para o Estado

24 de abril de 2016 | 19h03

Califórnia - O segundo dia da segunda semana de Coachella começou em 1988 com o lançamento de Straight Outta Compton, primeiro disco do N.W.A de Ice Cube, Dr. Dre, Eazy-E, DJ Yella e Arabian Prince. Com samplers de James Brown, Funkadelic, Sly e até Beastie Boys, o LP é um dos pioneiros do gangsta rap e formou boa parte do que estamos escutando na música de todo o mundo agora. A história do disco, da região e do N.W.A, foi recentemente contada no filme Straight Outta Compton, injustamente esquecido no Oscar de 2016.

A violência de seus versos tomou por assalto a atenção do senado americano e do FBI. Em especial Fuck tha Police cantada por todos os pulmões dessa noite no deserto. Os famosos “riots” de 1992 em Los Angeles certamente não estão resolvidos. Recentemente Ferguson e Baltimore nos relembraram que mais de 1000 jovens negros são assassinados pela polícia americana todo ano. No Brasil são oficialmente quase 20.000 negros mortos.

Quando Dr. Dre finalmente subiu no palco do show de Ice Cube e se juntou a DJ Yella e MC Ren, Coachella explodiu de comoção. Ainda que parte dessa plateia fosse tipicamente branca e mal soubesse onde fica Compton e qual é o problema dessa gente. Mais tarde, o filhote mais talentoso de Compton, e talvez o maior nome da música na atualidade, Kendrick Lamar, subiria ao palco, em respeito aos seus precursores, e cantaria a fabulosa Alright de sua obra prima To Pimp a Butterly.

Ice Cube foi o destaque de um dia heterogêneo, com os jovens do Gogo Penguin e do BadBadNotGood tocando um jazz presumível, e com os velhos Guns N’ Roses tocando um rock improvável. Sim, porque tinha tudo pra ser impreciso esse reencontro. Mas entre altos e baixos, Axl Rose se salvou, cantou bem, e deve ter resolvido metade de seus problemas das últimas duas décadas. Nem seus olhos abalados escondiam seu sorriso de prazer. É o resto de uma banda que deve ter sido incrível, não no início da década de 1990, quando a conhecemos, mas aqui na Sunset Strip, tocando em inferninhos no final dos anos 1980. Um pouco mais da história da Califórnia nessa noite de Coachella.

Vince Staples, “o melhor rapper do mundo que não se chama Kendrick”, também esteve presente e promete um futuro brilhante depois de seu Summertime 06'. Courtney Barnett e Deerhunter fizeram shows deleitáveis. Ela, muito esperta e começando uma carreira que tem tudo para causar espanto, e ele se mostrou cheio de uma angústia inebriante que tem tudo praa causar ainda mais assombro.

Vá lá saber porque o Disclosure juntou o maior público da noite. Serão as já famosas esperadas participações especiais que se espalham pelas apresentações do festival (no caso deles Lorde e Sam Smith)? Grimes também teve seu show concorrido. Mas há dois anos, quando ela estava sozinha no palco e parecia uma heroína de mangá, tudo parecia mais amável e menos comprometido com a moda. Dia 28 desse abril, os neozelandeses da Unknown Mortal Orchestra fazem um show em São Paulo, como parte do Popload Gig. Neste sábado, 23, foi o dia dela por aqui. E foi um dos bons e mais estranhos shows da noite. Não percam.

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