Ernna Cost / Divulgação
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'Nunca imaginei algo tão grandioso', conta Pabllo Vittar sobre primeiro projeto ao vivo

Em 'I AM PABLLO', artista comemora cinco anos de carreira e divide os muitos sucessos do repertório, de ‘Open Bar’ à recente ‘Number One’, em show espalhado por quatro palcos e gravado na Oca, no Parque do Ibirapuera

João Ker, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2021 | 12h01

“Não é todo dia que se comemora cinco anos de carreira, né?”, comenta Pabllo Vittar, que nesta terça-feira, 14, celebra a meia década de lançamentos com o ambicioso projeto "I AM PABLLO", seu primeiro registro audiovisual ao vivo. Em aproximadamente 1h30min, a drag queen mais seguida do mundo revisita seus maiores sucessos e outras faixas queridinhas dos fãs, que ganham novas roupagens em uma apresentação dividida por quatro palcos e gravada na Oca, no Parque Ibirapuera.  

O projeto terá estreia dupla às 21h30, no canal TNT e no Youtube de Pabllo, além de chegar como um álbum ao vivo nas plataformas de streaming. Em entrevista ao Estadão, ela conta que esse mesmo show será adaptado para suas apresentações nos próximos meses, em festivais como Sarará, Primavera Sound e Lollapalooza. "Tem quase um ano que estou me preparando pra isso, que malho, trabalho o diafragma e faço abs (abdominais), junto com o Diego Timbó (preparador vocal). É um trabalho nosso para que eu entregue um nível a mais", explica. 

 

Esse level up, como ela mesma diz, chega em quatro palcos, onde cada um faz alusão a um elemento diferente da natureza (fogo, água, ar e terra), com seu próprio figurino. As músicas, que passeiam desde o seu primeiro single, "Open Bar", ao mais recente, "Number One", em colaboração com Rennan da Penha, ganham novos arranjos e coreografias, potencializados por 20 bailarinos, banda ao vivo, backing vocals e dois meses de ensaio.

"Esse projeto saiu do meu âmago, do meu coração. Ouso dizer que, no Brasil, nenhum artista fez algo parecido. E nem vai fazer tão cedo", comenta a artista. A inspiração criativa veio da cena k-pop, mais especificamente do "The Show", do grupo BlackPink, e da turnê "ArtRave", apresentada por Lady Gaga em 2014. 

Não à toa, Pabllo retomou a parceria com Nicola Formichetti, diretor criativo de Gaga, e com quem a artista brasileira lançará mais quatro peças de NFTs, inspiradas no show "I AM PABLLO". "Não tô devendo vocal, não tô devendo coreografia, tô devendo nada", diz. 

Por que comemorar os cinco anos de carreira com esse formato?

Porque cinco anos de carreira não é todo dia, né? Os fãs já pediam muito e eu tinha essa vontade dentro de mim, de fazer um projeto audiovisual que juntasse essas eras em um momento tão único e especial quanto esse. 

Por que a inspiração na cena do k-pop?

A gente tá vendo isso desde o começo do ano, quando comecei a me preparar e juntar as referências. Conversamos bastante para trazer os profissionais adequados pra esse projeto. Nunca imaginei fazer algo tão grandioso. 

Como foi a escolha da setlist e decidir o que entrava ou ficaria de fora?

Foi muito difícil porque tem muita coisa e eu queria agradar a todos. Mas ficou impecável. Tá bem distribuído entre os meus quatro álbuns, além de "Open Bar", que é do meu primeiro EP e não podia ficar de fora. Todas as músicas foram regravadas com banda ao vivo. Também vai sair o meu primeiro álbum ao vivo desse projeto, então tô muito ansiosa. 

Essa questão do registro ao vivo te deixou nervosa? Talvez por ter que entregar mais na performance vocal?

Mas eu me preparei muito! Tem quase um ano que estou me preparando pra isso, que malho, trabalho o diafragma e faço abs (abdominais), junto com o Diego Timbó, que é meu preparador vocal. É um trabalho meu, dele e do meu coreógrafo pra que eu entregue um nível a mais. São cinco anos de carreira, então tenho que entregar bastante. E tá incrível! Não tô devendo vocal, não tô devendo coreografia, tô devendo nada.  

Desde o início, suas músicas falam muito sobre relacionamento e sofrimento. Você se considera uma pessoa que sofre muito por isso? E como mudou da Pabllo de "Open Bar" para a Pabllo de "Number One"?

Continua a mesma putaria. Eu sofro muito, mas isso me ajuda a escrever, então tá ótimo. É dinheiro entrando na minha conta… Na pandemia isso até me afetou um pouco mais. Fiquei mais ansiosa ou, então, prefiro não me envolver em nada. Meu relacionamento sério, no momento, é com os meus amigos, com a minha família and com o meu trabalho. Não estou procurando namorado, não estou procurando relacionamentos e meio que isso me livra de muita coisa. Porque, mana, eu não tenho tempo nem de pensar no meu trabalho! Imagina se eu tivesse um boy na minha cola…

Quando você vai para uma festa, essa questão da fama e do reconhecimento mais te ajuda ou te atrapalha na hora de fazer pegação?

Me atrapalha, né, meu amor! Porque fica um monte de gente gritando, tirando foto… quem vai querer? (risos) 

E como você faz?

Eu faço, né! Porque sou atrevida e porque não tô morta. Pego mesmo, esse fim de semana inclusive fui em um pagode lá na minha cidade (Uberlândia, em Minas Gerais), pagode universitário mesmo, só que lá a galera já tá mais acostumada porque eu moro lá e o pessoal sabe. Eu tiro foto, porque adoro o carinho, ainda mais depois desse rolê aí (pandemia) que a gente viveu… Mas ó, contando nos dedos, beijei umas oito pessoas só.

"Só". 

Só, porque eu poderia ter beijado mais. Tô toda roxa aqui do pagode, não dá pra ver porque tô usando meia. 

Ainda na questão de relacionamentos, você se apresenta de forma muito afeminada, seja como drag queen ou mesmo "desmontada". É algo que afeta suas relações? Acha que isso torna as coisas mais difíceis do que se você tivesse uma postura mais "masculina"? 

Já afetou, porque antes ninguém queria, agora todo mundo quer. (risos)Mas hoje em dia não tem mais esse negócio não. É a ativa ficando com a ativa, a passiva ficando com a passiva. E beija homem, beija mulher, só não beija quem não quer. Quando eu tinha uns 14, 15 anos, que eu estava começando a ficar com os meninos, era mais chato. Não tinha essa coisa de câmera digital e webcam que você se via, era a mensaginha.

Seu último disco, "Batidão Tropical", tem um som muito específico, inspirado nos ritmos que você ouvia crescendo no Norte e Nordeste. Agora, em "I AM PABLLO", é perceptível que você passeia por outros ritmos, como pagode, funk e eletrônica. Pensa em fazer outro projeto específico de um gênero, dentro de todos esses que você já trabalhou?

O "Batidão Tropical", que também está dividido no "I AM PABLLO" e nos quatro palcos, foi um presente pra mim porque sou do Norte e do Nordeste (Pabllo nasceu em São Luís, capital do Maranhão). Pra eu focar em outro ritmo vai demorar bastante, porque eu sou muito de misturar e trazer novas referências. Nos meus próximos projetos, quero fazer coisas diferentes. Vai ter de tudo um pouquinho. 

Sua parceria com Lady Gaga em "Fun Tonight" foi elogiada por crítica e público, além de ter se tornado a faixa mais ouvida do disco nas plataformas de streaming. Você pensa em procurar outras parceria em inglês? E em focar a carreira no mercado internacional?

Sempre estou procurando parcerias em outros idiomas. Mas não, meu internacional é o Brasil. 

O que tem achado do resultado da sua colaboração com o Nicola Formichetti para a produção dos NFTs? Pretende fazer mais?

Eu amei o resultado. Vou continuar. Amei esse trabalho e ele. Tivemos algumas reuniões pra ele entender um pouco do meu estilo, então cada trabalho que ele produz tem alguma coisa a ver comigo. Ele é um fofo e trabalha com as artistas que eu mais gosto.

Já consegue pensar em algum desejo ou projeto que queira realizar para os próximos cinco anos?

Viajar bastante depois de dois anos trancada dentro de casa. Quero fazer muitos shows, trabalhar bastante e também viver bastante. Viajar não só pra trabalhar, mas com as minhas amigas e a minha família, e estar com saúde, porque o resto eu corro atrás e não sou preguiçosa. 

Desde o início da carreira, você é alvo de comentários homofóbicos ou ataques de pessoas conservadoras. Sente obrigação de se posicionar contra isso, até de uma forma política, pra que não continue acontecendo?

Me posicionar contra, sempre me posicionarei. Mas ficar respondendo hate na internet, não vou. Não tenho energia nem tempo pra isso não, aqui é só paz e amor mesmo, e gratidão.

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