Novo Skank flerta com pop inglês e embarca no tecno

A primeira e última música até lembram um pouco seus trabalhos anteriores. As outras dez passam longe. Maquinarama (Sony), quinto álbum dos mineiros do Skank, nas lojas amanhã, traz mudanças radicais ao som do conjunto. Os metais foram abandonados, e o ska e reggae, esquecidos. Deram lugar a batidas tecno - principalmente drum´n´bass - e influências do pop-rock britânico. Do passado, ficaram as parcerias com o letrista Chico Amaral e a vontade de vender discos.Até mesmo as camisetas de futebol, visual já consagrado do conjunto, foram deixadas de lado. Neste ponto, assim como no disco, a nova onda dos mineiros é parecer com os Beatles. "Sem ser pretensioso, acho que esse álbum tem um clima Abbey Road", afirma o vocalista e guitarrista Samuel Rosa, referindo-se ao antológico disco do quarteto de Liverpool. E não é só isso. Além de inovações sonoras e comportamentais, Maquinarama marca o início de novas parcerias do Skank. Lô Borges, Nando Reis, Fausto Fawcett, Rodrigo Leão, Edgar Scandurra e até Andreas Kisser do Sepultura colaboraram nas composições. "É a primeira vez que componho a harmonia da música em parceria com outro músico", conta Samuel, referindo-se a Última Guerra, com Lô Borges e Água e Fogo, com Scandurra.Tantas mudanças não são motivo de preocupação. Para o vocalista, a sonoridade de Maquinarama é conseqüência natural do processo evolutivo a que os mineiros se propuseram. Desde o início. "Não conseguimos fazer um único tipo de música. Temos muitas influências. Queremos e podemos fazer um som diferente. Ninguém aqui precisa desenvolver trabalhos paralelos para se sentir feliz", afirma."Quanto à música eletrônica, nós sempre a usamos em nosso trabalho. A partir do segundo disco já usamos samplers. Introduzir drum´n´bass foi uma conseqüência desse processo", completa. O disco foi gravado em Belo Horizonte no estúdio do baterista Haroldo Ferretti e mixado em Woodstock, nos Estados Unidos. A produção ficou a cargo de Tom Capone e Chico Neves. "Em termos de sonoridade, é o disco mais verdadeiro da banda. Trouxemos para o álbum o clima dos shows", explica o vocalista. Beatles cover - As influências de Beatles estão em pelo menos metade das faixas de Maquinarama. "Lá em Minas temos um monte de bandas cover dos Beatles, mas não acredito que Belo Horizonte esteja mais próxima de Liverpool do que o resto do Brasil", brinca Samuel. Se quando o Skank surgiu, o vocalista afirmava que tocar reggae era uma forma de inovar no cenário pop nacional, hoje ele quer se esquecer do antigo argumento. Os rótulos "música de festa" e "banda de reggae" creditados ao conjunto incomodam o vocalista. Por esse motivo, acredita que as inovações introduzidas tornaram "Maquinarama mais verdadeiro, pois refletem o que estamos ouvindo e querendo neste momento.".O peso do sucesso de canções como Garota Nacional, que chegou ao primeiro lugar nas paradas de sucesso brasileiras e espanholas, não inibiu o quarteto (Henrique Portugal e Lelo Zaneti completam o time) a mudar de ares. "O Skank é uma banda nova no cenário brasileiro. Por isso não precisamos nos restringir a fazer o que fizemos no passado", reitera Samuel. Não tão novos assim. Com Maquinarama, os mineiros chegam ao quinto disco como uma das mais bem sucedidas bandas do mercado brasileiro: 4 milhões de álbuns vendidos. Têm um nome a zelar e uma carreira já estabelecida. Não foi à toa, então, que alteraram o estilo das composições. A fórmula de sucesso criada pelo conjunto não estava mais funcionando. Siderado, álbum anterior, teve apenas uma música executada nas rádios - Resposta - e vendeu 750 mil cópias, 1 milhão a menos que O Samba Poconé. Fica claro que Maquinarama, menos um desafio para a carreira, é uma nova possibilidade da banda retomar as vendas.

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