Novo maestro do Municipal estréia domingo

O maestro norte-americano Ira Levinrege neste domingo, com repetição na segunda-feira, seu primeiroconcerto como diretor musical do Teatro Municipal de São Paulo.Ele conduz a Sinfônica do Municipal e o Coral Lírico em peças deMax Reger e Beethoven. As apresentações também marcam a aberturaoficial da temporada de assinaturas do teatro, que prevê osoutros concertos do maestro com a orquestra e toda a programaçãode óperas (cinco títulos). Levin acredita que o programa deste seu concerto"inaugural" é bastante significativo dentro da marca que elequer imprimir ao teatro, "a união do repertório tradicional compeças novas para o público paulistano". Novas, também, para oscorpos estáveis. "Este tipo de prática é boa para todos e, nocaso específico do Salmo 100 do Reger, trata-se de uma peçaque pode mostrar todo o potencial do Coral Lírico, esqueciddo porantigas administrações." Quanto à Nona Sinfonia, deBeethoven, o maestro afirma que a escolha é bastante óbvia. Ébem provável que ele esteja se referindo à mensagem de esperançaque permeia a obra, um ponto de transição do repertóriosinfônico. Mais provável - e tentador - ainda que a analogiapossa ser feita com o atual estado do teatro. Os solistas, todosbrasileiros, serão a soprano Rosana Lamosa, a meio-sopranoRegina Elena Mesquita, o tenor Fernando Portari e obaixo-barítono Lício Bruno. Levin chegou a São Paulo no dia 24, com uma agendabastante apertada. Além dos ensaios, reuniões com empresários eagentes, ele tem feito audições com cantores e instrumentistas,espalhados pelos corredores do teatro, partituras na mão embusca de um lugar ao sol na nova administração. Começou aensaiar este concerto na segunda-feira, após o recesso daPáscoa. "É bom que os corpos estáveis aprendam mais peças emmenos tempo: o coral, por exemplo, só começou a estudar oSalmo de Reger no início de março. Isto torna todos maisalertas." Potencial - Pianista destacado, entre outros, com oprimeiro prêmio da American National Chopin Competition, Levintambém é regente da Deutsche Oper am Rheim, de Dusseldorf, naAlemanha. Para lá ele segue após esses concertos, para dirigirrécitas do Boris Godunov, de Mussorgski. Depois, retorna aoBrasil, e aqui deve ficar a maior parte de seu tempo até o fimda temporada, em dezembro, quando comanda um programa com peçasde Giuseppe Verdi e Anton Bruckner. Seu currículo distribuído à imprensa chama a atençãopara o sucesso em ocasiões que regeu após ser avisado na últimahora, sem ensaios. O que ocorreu, por exemplo, no mês passado,quando dirigiu no Festival de Ópera de Dresden um Tristão eIsolda para o qual foi escalada poucas horas antes. O maestrosabe, no entanto, que seu desempenho no Municipal de São Paulopassa por outro caminho, pelo trabalho diário com os corposestáveis, "permitindo a eles explorarem seu máximopotencial". Ele volta a dizer, como em entrevista que deu àreportagem no início do ano, que conhece os problemas do teatro,sabe que as últimas administrações não criaram condições para odesenvolvimento ideal dos corpos estáveis. Mas não fazpromessas. "Considero 2001 uma espécie de ano de transição eter a temporada prevista com antecedência me permite já pensarna continuidade, nas óperas e nos concertos para a temporada de2003, que está pronta na minha cabeça." Ele não divulga ostítulos, mas já demonstrou sua intenção de ampliar o repertóriooperístico em direção ao século 20, a Britten (PeterGrimes?), Strauss (Electra?), Shostakovich (LadyMacbeth?) e assim por diante. Já se falou também em Tristão e Isolda,possivelmente com elenco importado do Festival de Bayreuth, istosegundo o secretário municipal da Cultura Marco Aurélio Garcia.Levin, no entanto, ainda não confirma nada. "Como diretormusical, minha principal atribuição é garantir a qualidade damúsica que for feita aqui dentro." E isso significa, entreoutras coisas, garantir, em primeiro lugar, que tudo corra bemcom a temporada deste ano.Serviço - Orquestra Sinfônica Municipal. Domingo, às 11 horas;segunda, às 21 horas. De R$ 10,00 a R$ 35,00. Teatro Municipal.Praça Ramos de Azevedo, s/n.º, tel. 222-8698

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.