Novo disco dos Paralamas será "mais rock-and-roll"

Quando Herbert Vianna sofreu o acidente de ultra-leve, em 4 de fevereiro de 2001, os paralamas Bi Ribeiro e João Barone, consternados, caíram em silêncio. Saíram dos focos das câmeras e interromperam todos os projetos para ficarem ao lado dos familiares do amigo. Não se pronunciar sobre música ou a respeito do tratamento clínico de Herbert foi ordem estabelecida e seguida à risca neste primeiro ano.O tempo agiu como aliado. Barone, o baterista, recompõe-se com o grupo de surf music The Silva´s e acompanha Rita Lee na turnê de lançamento de seu disco Aqui, Ali, Em Qualquer Lugar. Bi Ribeiro, o baixista, ressurge com uma poderosa formação carioca de reggae, a Reggae B. E Herbert Vianna, em reabilitação espantosa, ensaia para reativar os Paralamas do Sucesso com o lançamento de um disco novo.Em seu sítio que fica no distrito de Mendes, a 115 quilômetros do centro do Rio de Janeiro, Ribeiro quebrou o gelo e falou ao Jornal da Tarde, no domingo, durante um intervalo dos ensaios de seu novo grupo de reggae. Ainda desajustado na condição de líder, posto que nunca fez questão de ocupar, falou sobre o retorno de Herbert, sobre as intenções de seu novo grupo e a respeito do novo disco que os Paralamas preparam. Ainda que esperançoso com a recuperação do amigo, encara uma realidade indigesta sobre a reaparição nos palcos. "Nunca mais será como era antes."Nos Paralamas você esteve sempre ao fundo, com cuidados para não aparecer muito. Agora surge como líder natural de um grupo de reggae. Tem sido difícil se acostumar no novo posto? Bi Ribeiro - Eu não gosto muito. Não me coloco como um líder. O Reggae B. é algo bem democrático. B não é de Bi Ribeiro, como muita gente pensa. É para ressaltar mais a idéia de que são canções menos conhecidas, lados b do reggae.No Paralamas vocês faziam uma média de 130 shows por ano. Um novo grupo vem para suprir a falta dos palcos que o acidente com Herbert deixou? Totalmente. Eu não me sentia um músico, me sentia um paralama. Pensava que, se não estivesse nos Paralamas, não poderia tocar com ninguém. Quando teve o acidente, pensei em largar tudo e viver aqui em meu sítio tirando leite de minhas cabras. Cheguei a ficar seis meses sem pegar no instrumento. E aí veio o grupo de reggae e o negócio ficou maior do que eu imaginava. Em que ponto estão os trabalhos com o Herbert Vianna na gravação do novo disco? Temos seis músicas inéditas, bem arranjadas. Algumas foram feitas depois do acidente. Já definimos que será um disco em trio, cru como nos tempos de O Passo do Lui (1984) e Selvagem? (1986). Temos ensaiado duas vezes por semana. Será um trabalho bem mais rock-and-roll do que os últimos álbuns que lançamos. Penso que vamos finalizá-lo até o fim do ano.Agora, sinceramente, os Paralamas do Sucesso podem ser o que eram antes do acidente? Acho que não. Já não é e nunca mais vai ser. Por quê? Já quebrou, já é diferente. Por exemplo: o Herbert está com um problema nas pernas. A gente não sabe se ele vai andar ou quando vai andar. Então, se a gente voltar a fazer shows, vamos ter de fazer menos shows. A gente tinha um ritmo muito forte que não vai dar para ser retomado.Mas quando vocês falam em voltar, as pessoas já imaginam o Herbert ali na frente do palco firme e forte, sorrindo e tocando "Meu Erro". Você acha que é criar muita expectativa? As pessoas estão falando em levar caravanas quando fizermos o primeiro show. Nem sei quando vai ser este show. Mas tem uma coisa tão forte dos fãs que, se Herbert for cantar deitado, será bem recebido pelas pessoas.O que Herbert acha de tudo? Ele tem muita vontade de cair na estrada (longa pausa). Ele acha que estas músicas novas são o melhor material que a gente já teve. É engraçado. De algumas coisas ele não se lembra mesmo. Não se lembra do último show que fizemos, por exemplo. Mas lembra de todas as músicas e de vários fatos. Algumas coisas, não sei por que, não ficam em sua memória.

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