Novo CD de Michael Jackson chega no fim do mês

Seis anos e US$ 30 milhões depois, finalmente o público tem um gostinho de Invincible, novo disco de Michael Jackson. Na verdade, o tão esperado álbum só chega às lojas no dia 29 deste mês, mas as músicas e as muitas histórias que rondaram a gravação estão sendo aos poucos divulgadas. A Agência Estado conseguiu ouvir todas as 16 novas faixas pela Internet, e o gosto que ficou não foi dos melhores. As histórias em torno do álbum parecem ser mais interessantes do que ele em si. Invincible vem sendo produzido desde 1995, com incontáveis produtores em dez estúdios diferentes. Inicialmente foram gravadas quase 100 canções, e o CD acabou custando a bagatela de US$ 30 milhões - o que faz dele o disco mais caro de todos os tempos. O sucesso do novo CD de Michael Jackson, que não mostra nada inédito ao seus fãs desde Dangerous (91), é de fundamental importância para o rei do pop continuar empunhando seu cetro. O principal objetivo é conquistar uma geração que tem entre 12 e 20 anos, e provavelmente só conhece o artista por suas histórias e boatos. Esses novos súditos são essenciais para o futuro de Jackson. Por isso o astro vem arquitetando seu retorno milimetricamente, passo a passo. A estratégia de lançamento de Invincible começou em setembro. Michael Jackson apareceu na entrega de prêmios da MTV americana, cantou com seus irmãos do Jackson 5 em duas apresentações em Nova York, convocou diversas personalidades para fazer uma espécie de ´We Are The World parte 2´ e arrecadar fundos para as famílias das vítimas dos atentados terroristas, e colocou na Internet algumas músicas que fazem parte do disco. Mas Jackson nem precisava ter feito tantos eventos para aparecer na mídia. Na verdade, sua aparência assustadora, resultado de várias plásticas, já lhe rendeu manchetes suficientes para promover seu álbum. No total, foram seis rinoplastias, um furinho no queixo, liftings faciais, lipoaspiração nas bochechas, afinamento do lábio e transplante de parte dos cabelos para o queixo. Falta de criatividade - Bizarrices à parte, o que vai ser realmente lembrado daqui a uns meses será a qualidade de Invincible. Uma qualidade sonora inquestionável, é verdade, mas que não parece ter fôlego suficiente para reviver sua carreira. O álbum abre com os seis minutos de Unbreakable. Uma bela e lenta canção, que acaba grudando na cabeça, traz rimas do finado rapper Notorious B.I.G. e letras inspiradas, em que Jackson afirma que nada vai derrubá-lo ou quebrá-lo. O disco segue com Heartbreaker, onde o astro fala, pela centésima vez, de uma garota que partiu seu coração. Não parece ser uma música pop que vai estourar nas rádios, mas ainda assim segue a clássica sonoridade de Jackson. A faixa-título, Invincible, traz um riff que lembra muito Sly & The Family Stone, mas não chega a impressionar. O primeiro bom momento do disco só aparece na quarta faixa e primeira balada do disco, Break Of Dawn. Mas tudo volta ao normal com a não muito inspirada Heaven Can Wait. Fica a sensação de já ter ouvido a mesma música um milhão de vezes nas rádios. A sexta tentativa chama-se You Rock My World, que já toca nas rádios sem muito sucesso. E o martírio, de Jackson e dos fãs, continua na lenta Butterflies. Até esse ponto, o astro só conseguiu repetir seus trabalhos anteriores e de outros artistas. Uma luz no fim do túnel aparece timidamente em Speechless. Escrita e produzida inteiramente por Jackson, a açucarada canção traz belos vocais e um grande refrão. E a esperança de um disco melhor só aumenta com os ritmos tribais de 2000 Watts. Mas pedir outra música boa em seguida já é exagero. As obviedades voltam a reinar com as lentinhas You Are My Life, Privacy e Don´t Walk Away. O segundo single do disco, Cry, vem em seguida com uma sonoridade bem gospel. A exemplo de You Rock My World, não parece que vai fazer muito sucesso. Chegando bem próximo ao fim, a faixa The Lost Children nos faz desejar que o disco já tivesse acabado. As duas últimas músicas seguem o estilo de todas as outras. São boas canções, mas que não vão conseguir transformar Jackson em um ídolo das novas gerações. As faixas Whatever Happens, que tem uma levada quase bossa-nova (cortesia do guitarrista Carlos Santana) e a movimentada Threatened podem ser chamadas de simpáticas, mas nunca de convincentes. Em uma primeira audição, o disco é um bom trabalho de R&B, mas não traz nada de novidade ou pioneirismo. Apenas bons ritmos, batidas conhecidas e algumas melodias questionáveis.

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