Novo álbum do Slipknot tem rock em alta voltagem

O rock mascarado e maquiado é uma antiga obsessão do rock, do pop e do rap. Do Kiss ao Pavilhão 9, do Secos & Molhados ao Joelho de Porco: a máscara evidencia intenções ou esconde limitações. Mas o que o Slipknot, grupo norte-americano de Iowa, fez com suas fantasias foi radicalizar isso. São nove sujeitos com máscaras de um Halloween antigo no palco, fazendo o chão tremer com um death metal de ensurdecer, tudo anabolizado por gritos, sirenes, percussão com cadência militarista, sampling, ruídos agressivos - e até um pouco de melodia. Ao lado de Incubus, Moonspell e Sepultura, eles foram uma das grandes atrações do Rock in Rio Lisboa, em junho. Agora, estão lançando seu novo disco, Vol. 3: (The Subliminal Verses) no Brasil, pela Sum Records. E dizem que estão a caminho. "Estamos em negociação com um promotor daí. Devemos ir ao Rio e a São Paulo após nossa turnê pelo Japão e Austrália, provavelmente em fevereiro", adiantou James, o guitarrista da banda, em entrevista ao Estado por telefone. James e os amigos (Joey, Sid, Paul, Clown, Mick, Chris, 133 e Corey) adoram criar um clima. Parece uma turma de extras reprovados para atuar em Sexta-Feira 13. Para gravar o novo disco, enfurnaram-se durante meses com o produtor Rick Rubin num casarão com fama de assombrado em Los Angeles, chamado de The Mansion (A Mansão). Cenário de filme B para uma trupe de deserdados de Hollywood. Mas qual o motivo das máscaras? "Mascarado, eu posso expressar-me de um jeito que jamais poderia de outra maneira", explica James. O ritual de Dia dos Mortos, no entanto, não impede que as idiossincrasias também habitem o mundo do Slipknot. James diz que, apesar do ´pé na jaca´ do death metal e do barulho, ele cresceu influenciado por outro tipo de música. "Eu ouvia Beatles, Rolling Stones, Deep Purple, Black Sabbath. Como guitarrista, posso dizer que fui influenciado por George Harrison e David Gilmour (Pink Floyd)", arremata. Sobre o trabalho na mansão mal-assombrada, eles asseguram que há ecos do sobrenatural nas faixas do álbum. "Você pode sentir isso no disco. Havia fantasmas no equipamento. As coisas paravam subitamente, ou então faziam um loop sem nenhuma razão aparente. Foi estranho", disse a uma revista inglesa o cantor Corey Taylor. Em abril, na estrada, levaram um susto: durante um show em Detroit, uma fã morreu de ataque cardíaco. Pensava-se que fora por uso de drogas, mas não foi. "Não tinha como saber. Fomos ao hospital dar uma força, mas foi uma tragédia. Às vezes é hora de ir, é a vida. Foi o que aconteceu", conta James.

Agencia Estado,

30 de agosto de 2004 | 10h26

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