FOTO: WILTON JUNIOR/ESTADÃO
FOTO: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Nove anos depois, Radiohead provoca novo transe no Rio

Banda inglesa tocou para 10 mil pessoas; em São Paulo, show é domingo

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2018 | 03h38

RIO - Um público que, diante do palco já vazio, segue cantando a cappella o verso final da última música do bis. Mesmo quando as luzes se acendem e o som ambiente se instala, deixando claro que o show já acabou. Nomeie bandas capazes de tal façanha, e inclua entre elas o Radiohead

Não parece, mas já faz 25 anos que “Creep”, o lamento do esquisitão apaixonado pela moça especial que flutua como pena, alçou Thom Yorke, Jonny Greenwood e companhia à fama para além da Inglaterra. E, igualmente, ao posto de banda do coração de jovens de espírito indie e amantes de rock melodioso com pitadas de eletrônico, a embalar letras por vezes atormentadas.

Em sua volta ao Brasil depois de nove anos ausente, o quinteto de Oxford provocou novo transe na plateia carioca – estimada pelos organizadores em cerca de dez mil pessoas. Em show de 2h25 no Soundhearts Festival, realizado na longíngua Jeneusse Arena, zona oeste do Rio, nesta sexta-feira, 20, o Radiohead tocou boa parte de seus sucessos.

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E não, “Creep” não fez parte do set list – o verso  repetido ao fim da apresentação era “I lost myself”, de “Karma police”. Não havia garantias de que o hit-chiclete estaria presente. A banda, que acaba de passar pelo Chile, Argentina e Peru, e chega ao Allianz Parque neste domingo, 22, tem um grande conjunto de músicas ensaiadas, e varia o repertório o tempo todo. 

A produção sinalizara que o Rio ouviria o mesmo que Lima, onde foi o show de terça-feira. O que não se concretizou. Mas se “Creep”, aguardada para o bis, não veio, o público soltou a voz especialmente em faixas egressas de dois discos fundamentais da banda.

O coro se ouviu em “Lucky”, “Let down” e “Paranoid android”, de “Ok computer” (1997), e em “Nude”, “Bodysnatchers” e “All I need”, de “In rainbows” (2007). “No surprises” e “Reckoner” foram momentos de introspecção e ternura à flor da pele; “Idioteque”, de catarse. 

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De “A moon shaped pool”, o nono disco, lançado em 2016, saíram “Daydreaming” e “Ful stop”, que abriram a noite, às 22h15, e também “Identikit”, “Desert island disk” e “Present tense”, esta já no bis. 

O público foi a metade daquele que assistiu ao Radiohead em março de 2009, na Praça da Apoteose. O envolvimento com a banda, no entanto, foi o mesmo. O falsete e as dancinhas de Thom Yorke seguem inebriando e divertindo os fãs, que chegaram cedo à Arena para ouvir a música instrumental experimental do Flying Lotus, atração anterior. 

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O Soundhearts Festival foi curado pelo Radiohead. Tocaram ainda o Junun, do guitarrista Jonny Greenwood com o israelense Shy Be Tzur e músicos indianos, e Aldo, The Band, brasileira.

 

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