Novas divas no cenário do canto lírico

A norte-americana Renée Fleming e a russa Anna Netrebko disputam o reinado da música clássica. A primeira, reinando absoluta como a grande diva do início do século 21 e, a segunda, que despontou no ano passado, surgindo com novo disco (Deutsche Grammophon). Sempre Libera, segundo disco de Anna Netrebko, é a confirmação do talento apresentado no primeiro, uma espécie de reunião de standards do repertório de soprano, gravado em Viena com Gianandrea Noseda. O acompanhamento, agora, é de Claudio Abbado, com a Orquestra de Câmara Mahler. Seu timbre é muito bonito e ela sabe bem como explorar um registro amplo, com grande carga dramática. Em outras palavras: uma voz linda, repleta de contrastes e que te pega e vira do avesso quando você menos espera. Renée Fleming é o grande fenômeno de público - e de vendas - dos últimos anos. Seu álbum Bel Canto bateu por semanas artistas como Rod Stewart e Bruce Springsteen nas listas de mais vendidos nos EUA. Na semana passada, Renée encerrou uma temporada da Rodelinda de Haendel no Metropolitan de Nova York. Ela é tida como grande intérprete de Mozart e Richard Strauss. Mas, nos dois séculos que os dividem, ela já fez de tudo um pouco. Sua Manon, na ópera de Massenet, acaba de sair em DVD e é definitiva. Quem viu sua Traviata há dois anos em Nova York, diz o mesmo. Seu álbum com Bryn Terfel, dedicado aos musicais norte-americanos, é precioso, assim como seu CD de óperas americanas com James Levine. E ela deve lançar ainda neste ano um disco de jazz, uma volta aos cabarés e bares nova-iorquinos onde descobriu que queria ser cantora.

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