José Patrício/AE
José Patrício/AE

Nova regente da Osesp diz que não pretende se limitar a reger uma agenda de concertos

Marin Alsop encontra-se com músicos da orquestra e enfatiza função social da música

Maria Eugênia de Menezes, de O Estado de S. Paulo,

12 de fevereiro de 2011 | 16h18

Anunciada como nova regente da Osesp, Marin Alsop encontrou-se neste sábado, 12, pela manhã com os músicos da orquestra. Em seu primeiro depoimento como titular do cargo, a norte-americana deu ênfase à função social do conjunto musical e disse que não pretende se limitar a reger uma agenda de concertos. "Temos a chance de criar uma nova orquestra, uma orquestra do século 21, que pode chegar a lugares inexplorados", disse ela. "Não tinha nenhuma expectativa quando estive aqui para reger no ano passado, mas encontrei uma orquestra que me surpreendeu pela qualidade. Senti no ato o comprometimento dos músicos, a paixão com que tocavam. E isso, para mim, é o mais importante."

 

Para o diretor artístico Arthur Nestrovski, a escolha de Marin significa um novo momento para a orquestra, redefinindo seu espaço na América Latina. "Vai ficando cada vez mais claro que existe uma enorme expectativa em relação àquilo que essa orquestra ainda pode vir a ser", comentou. "É como se, por sermos uma orquestra brasileira, de São Paulo, nós tivéssemos a chance de inventar coisas que talvez outras orquestras talvez não possam. A orquestra hoje já é vista como uma grande orquestra da América Latina. Nós precisamos crescer para assumir esse lugar."

 

De acordo com Nestrovski, a escolha de Marin para o posto levou em conta sua possibilidade de abrir portas para a Osesp, no exterior. Diretora da Orquestra de Baltimore, nos Estados Unidos, e considerada a maior regente mulher em atividade, ela possui extensa agenda de concertos internacionais e contrato com importantes gravadoras da área, como o selo Naxos. Mesmo com tantos compromissos, Marin terá tempo para se dedicar à orquestra, assegurou Luiz Schwarcz, membro do Conselho da Osesp. "Já acertamos com ela uma participação em dez programas por ano, o que significa que ela regeria entre 30 e 40 concertos, um número bastante expressivo".

 

O contrato firmado com Marin começa em 2012 e terá duração de cinco anos. Dessa vez, a estada de Marin em São Paulo será curta: apenas dois dias. Mas ela já estaria trabalhando com a direção artística para a definição das temporadas do ano que vem e de 2013. E tem planos de aprender português para se comunicar com os músicos.

 

Além de Marin, o nome do brasileiro Celso Antunes foi anunciado como novo regente associado. Hoje regente do Coro da Rádio da Holanda, ele deve trabalhar em parceria com a maestrina, concentrando-se especialmente no repertório de compositores brasileiros. Tanto Marin quanto Antunes foram escolhidos por um comitê de busca que avaliou todos os maestros que passaram pela Sala São Paulo nas duas últimas temporadas. "Foi uma busca cuidadosa da qual todos participaram: membros do conselho, consultores internacionais e músicos", pontuou Fernando Henrique Cardoso, presidente do conselho da Osesp, lembrando que o maestro Yan Pascal Tortelier, atual titular, deve permanecer como regente de honra por dois anos.

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