Gualter Naves/Estadão
Gualter Naves/Estadão

Nova geração da música brasileira presta homenagem ao Skank com coletânea inédita

Álbum duplo de 15 faixas reúne 34 artistas, de 15 Estados diferentes

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2017 | 06h00

O Skank sempre travou uma luta incessante para se reinventar musicalmente. A banda mineira, entretanto, nunca deixou de flertar com o pop radiofônico. Esses, talvez, sejam os maiores trunfos para que o quarteto continue prosperando ao longo de tantos anos de carreira. Samuel Rosa (guitarra e vocal), Henrique Portugal (teclado), Lelo Zaneti (baixo) e Haroldo Ferretti (bateria) somaram melodias suaves e instigantes às letras de rimas fáceis e inteligentes. Um dos resultados mais surpreendentes dessa trajetória de sucesso veio 25 anos depois da criação do grupo, com a coletânea Dois Lados, lançada nesta semana apenas nas plataformas digitais.

 

O álbum duplo de 15 faixas reúne 34 artistas, de 15 Estados diferentes, e apresenta releituras dos maiores sucessos do conjunto. A amplitude do projeto, criado e produzido pelo mineiro Pedro Ferreira, mostra o quanto o Skank foi importante para a formação musical da nova safra da música popular brasileira. “A ideia surgiu em janeiro. Além de ser um ano muito especial para a banda, que completa 25 anos do lançamento do primeiro disco (Skank), poucos grupos na história da música pop nacional foram tão bem-sucedidos quanto eles. Dessa forma, pensei em realizar um tributo como forma de perpetuar o legado de um dos principais nomes da música, com releituras que estimulem o público a conhecer novos talentos”, diz Pedro Ferreira em entrevista ao Estado.

Entre os artistas convidados para o projeto estão a dupla Anavitória (Amores Imperfeitos), Esteban Tavares (Mil Acasos), Wado (Dois Rios), Phill Veras (Vou Deixar), Ana Muller (Acima do Sol), Rico Dalasam (Não Vem Brincar de Amor), além dos grupos francisco, el hombre (Pacato Cidadão), The Baggios (A Cerca), Selvagens à Procura de Lei (Ali) e Garotas Suecas (Mandrake e Os Cubanos). “Procuro convidar músicos que possuam influência do artista homenageado ou admiração por sua obra. E, sempre, deixando claro que a ideia da coletânea não é a de ser um disco cover, mas, sim, um espaço para releituras”, afirma Pedro. Dois Lados é uma produção sem fins lucrativos, totalmente independente e que não será comercializada. Cada artista, portanto, arcou com os custos da sua gravação.

Dois Lados foi, inclusive, aprovado pelos integrantes do Skank, que se emocionaram com a homenagem das bandas. Samuel Rosa chegou a postar uma foto de agradecimento em seu perfil oficial no Instagram. “Que bela homenagem foi essa. Poucas vezes imaginei ser tão carinhosamente lembrado por tanta gente legal. Fizemos um trabalho que foi e é relevante para um tanto de gente bacana”, comentou Samuel. “As bandas fizeram aquilo de forma espontânea, cada um com seu estúdio, cada um com seus recursos para gravar, com suas produtoras, enfim, fizeram cada um da sua própria cabeça, vontade e escolha. Sinceramente, acho que nem de dentro do Skank sairia um projeto tão bacana quanto este”, afirma o baterista Haroldo Ferretti.

Uma das versões mais intrigantes da coletânea é a música A Cerca, gravada pelo The Baggios. A canção está presente em Calango, segundo álbum de estúdio do Skank. Na voz do duo sergipano formado por Júlio Andrade e Gabriel Carvalho, a canção ganhou uma roupagem mais suja. “A Cerca sempre foi uma das minhas canções favoritas. Lembro que aprimorei muitos dos riffs nas guitarras nos intervalos dos shows da nossa turnê. O Skank não é uma referência direta, mas sempre houve um respeito gigantesco pelos caras como músicos. Eles fizeram parte da nossa formação musical”, conclui o vocalista e guitarrista Júlio Andrade.

DESTAQUES

The Baggios

A Cerca

francisco, el hombre

Pacato Cidadão

Esteban Tavares

Mil Acasos

Wado

Dois Rios

Garotas Suecas

Mandrake e Os Cubanos

Dani Black

Saideira

Nevilton

Te Ver

Zé Manoel

Tanto (I Want You)

Skank, Céu e Jorge Ben Jor fazem show gratuito em SP neste domingo, 25

A sexta edição do Nívea Viva realizará seu último show em São Paulo, neste domingo, 25, na Praça Heróis da FEB, na zona norte da capital paulista. O projeto, que celebra anualmente os principais ícones da música brasileira, neste ano reverencia Jorge Ben Jor. Ele apresentará sua obra ao lado do Skank e da cantora Céu. As performances já passaram por Porto Alegre, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife, Belo Horizonte e Brasília. Segundo informações da organização do evento, os shows já foram vistos por 640 mil pessoas. “A gente toca músicas do Jorge Ben Jor para homenagear o rei e eu fiquei pensando durante essa turnê várias vezes como ele estaria se sentindo em relação a isso”, diz Haroldo Ferretti, baterista do Skank.

O repertório do show - que terá momentos de encontro com os artistas e, no final, uma celebração com todos juntos - traz mais de 30 músicas, de todas as fases da carreira do artista, como Os Alquimistas Estão Chegando (Skank e Céu), Chove Chuva (Céu), Balança Pema (Skank), Umbabaraúma (Skank e Jorge), Mas Que Nada (Céu e Jorge) e Taj Mahal (Jorge, Céu e Skank). Em 2016, o Nivea Viva fez uma homenagem ao rock nacional. Marjorie Estiano, Os Paralamas do Sucesso e Paula Toller participaram da turnê.

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