Nova diva da black music lança álbum de estréia

A menina que cantava Ella Fitzgerald e Elza Soares no chuveiro não imaginava que seria tão rápido. Dia desses, Paula Lima cursava direito no Mackenzie e, em sonhos, defendia causas nos tribunais. Só nas poucas horas vagas curtia LPs de Jorge Ben Jor e Trio Mocotó em casa, no bairro do Ipiranga, e fazia um barulhinho com amigos músicos nos fins de semana.Oito anos depois, o diploma está bem guardado em alguma gaveta do armário. Os discos de Ben Jor são preservados na estante e o barulhinho que fazia passou a ser ouvido na vizinhança. De hoje a sexta, no Teatro do Sesc Pompéia, a mulher que vem sendo chamada de "diva da black music nacional" se apresenta para lançar oficialmente seu primeiro álbum, É Isso Aí."Cara, acabei de ter um filho." A frase solta de supetão, no início da conversa, surpreende. Como assim, se ela nem estava grávida? "Não, eu não estava grávida, pelo amooor de Deus. Mas considero este disco um filho, assim como reconheço que existo muito graças ao grupo Funk Como Le Gusta", diz.Se Paula Lima é a mãe, Max de Castro é o pai da "criança". O produtor, irmão mais novo de Simoninha e filho de Wilson Simonal, domou o vozeirão da cantora nos estúdios e criou climas sensuais para seus acentos funks. Max aparece ainda como compositor e divide os vocais no tema Proceder (que fez em parceria com Bernardo Vilhena). Bambas do funk - Nome dos mais celebrados pela "new school", forma como artistas funkeiros (esqueça as falecidas tchutchucas) têm chamado o recente despertar do gênero em São Paulo, e cabeça de frente na turma da gravadora Trama, de João Marcello Bôscoli, Max de Castro estará em todas as apresentações durante a temporada paulistana de Paula. Convidado de honra, fará uma participação com direito a escolher a música que quer cantar e tocar guitarra. "Ele conhece todas, vai saber o que fazer", confia a amiga.Don Betto, guitarrista e compositor do pessoal de Gerson King Combo, outro que deu as caras no disco novo, também já recebeu convite. Ele aparecerá para dividir o palco em sua Vem Amor, feita com Carlos Rennó e regravada por Paula Lima. No meio da festa, surge ainda o rapper paulistano Xis, que cantará Dançando na Avenida, como faz no álbum. Ainda a respeito de repertório, há uma série de coisas que fogem à lista do CD. Paula é ouvinte compulsiva de sambas-rock e de Ed Motta, Jorge Ben Jor, Sandra de Sá, Quince Jones, Ella Fitzgerald e Elza Soares. Então, dá para imaginar que deste mato vai sair coelho. "Mas é surpresa. Não posso falar nada por enquanto", faz mistério. Acostumada a deitar em cama bem feita, preparada pelo expansivo Funk Como Le Gusta, a cantora recrutou dez músicos para ampará-la. "Costumo dizer que é uma ´banda de chocolate´: doce e densa." Paula Lima. De hoje a sexta, às 21 h. Teatro do Sesc Pompéia (Rua Clélia, 93. Tel. 3871-7700) Ingresso: R$ 12.

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