MARIO ANZUONI/REUTERS - 8/2/2019
MARIO ANZUONI/REUTERS - 8/2/2019

Norah Jones dá dicas culturais para se manter equilibrado durante a pandemia

Durante a quarentena, a cantora e compositora faz lives semanais com músicas suas e covers

Giovanni Russonello THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2020 | 05h00

Com planos de lançar dois álbuns na primeira metade deste ano, Norah Jones esperava estar ocupada neste momento fazendo shows. Em 14 de fevereiro, ela lançou Sister com o Puss n Boots, o trio de estilo alternativo do qual faz parte junto com Sasha Dobson e Catherine Popper. Esta turnê foi, é claro, cancelada. E, em 12 de junho, Norah lançou seu oitavo álbum solo, Pick Me Up Off the Floor, que também deveria vir acompanhado de uma agenda repleta de shows nos próximos meses, desta vez ao lado de Mavis Staples.

Em vez disso, a nove vezes vencedora do Grammy tem feito, semanalmente, lives curtas de 15 a 20 minutos, em sua casa, tocando violão e piano enquanto canta canções suas ou faz covers. “Todos nós queremos nos conectar agora”, disse ela. “Para mim, essa é uma boa maneira de fazer isso sem ter que responder ou estar presente em todas as redes sociais.”

Pick Me Up Off the Floor tem mais músicas escritas por Norah do que qualquer álbum anterior, e músicas bastante cativantes – cantadas em seu famoso tom peculiar – que entram suavemente pelos ouvidos e depois invadem sua mente. E em casa com sua família (e alguns amigos mais próximos que passaram a viver com ela durante a quarentena), ela está testando novas descobertas musicais.

Por telefone, Norah, de 41 anos, falou de 10 itens culturais, pessoas e passatempos que a mantêm equilibrada durante a pandemia. Estes são trechos editados da conversa.

1. Emahoy Tsegué-Maryam Guèbrou

Eu estava em uma festa e alguém estava tocando algo da série de discos Ethiopiques. E eu pensei, ok, tenho que ir atrás disso. É todo esse catálogo de músicas da Etiópia, principalmente das décadas de 1960 e 1970. É essa incrível compilação de músicas, todas de artistas diferentes. E uma que realmente se destacou para mim foi essa pianista. Este álbum é uma das coisas mais bonitas que já ouvi: há notas de Duke Ellington, escalas modais, blues e música de igreja. As músicas ressoaram de todas essas maneiras para mim.

2. ‘Song of the Highest Tower’, de Cut Worms

Essa é uma música que descobri na quarentena – acho que estava em alguma playlist que eu estava escutando – e, basicamente, a ouvi repetidamente. É interessante como a música realmente atinge você de uma maneira diferente quando você está em situações como a em que estamos. Você encontra significado nas letras que é super-relevante. Essas letras são muito bonitas, a música é muito hipnótica, e eu amo o jeito que ele canta. Acredito que as letras são baseadas em um poema de Arthur Rimbaud, que eu li online, e me fez ter vontade de ler poesia também.

3. ‘In the Heart of the Moon’, de Ali Farka Touré e Toumani Diabaté

Eu escuto esse álbum há 15 anos. Eu o ouço todas as manhãs. Provavelmente pratico ioga enquanto ouço – talvez apenas por cinco minutos –, mas geralmente continuo a escutá-lo. Sempre que eu coloco, meus filhos dizem: “Ah, eu gosto da sua música de ioga”. Tem uma energia matinal real para mim. Isso me coloca em um estado de ânimo muito específico, que é uma boa maneira de começar o dia.

4. A conta de Ryan Heffington no Instagram

Meu amigo me enviou esta conta do Instagram, e eu simplesmente adorei. Tem sido uma ótima maneira de movimentar o corpo durante este período de isolamento. Quando eu estou me sentindo mal ou tendo um dia ruim, faço uma aula de “Sweatfest” e tudo fica bem. Na primeira que fiz, houve uma espécie de momento de música lenta e dançamos ao som de Fast Car, de Tracy Chapman, e isso meio que me surpreendeu.

5. ‘Um Duende em Nova York’

O melhor filme de todos os tempos, certo? Tento vê-lo algumas vezes todo Natal. Will Ferrell é tão sincero e adorável, e é um filme tão bem-feito: existem todas essas referências aos filmes de Natal com os quais crescemos. Eu sempre choro na mesma parte, que é quando eles começam a cantar a canção de Natal no final. Mal posso esperar para chorar nessa parte, toda vez que assisto. Não choro com frequência, mas esse é um choro bom.

6. Natal aos domingos

Esta é uma tradição familiar que começamos recentemente. Estávamos por volta da terceira semana de isolamento, ainda estava frio em Nova York e nevava levemente em uma manhã de domingo. Desde então, todo domingo, tentamos fazer panquecas, colocar música de Natal e fingir que é Natal. Isso trouxe muita alegria a essa situação. Meus filhos têm 4 e 6 anos. Eles entendem que é apenas fingimento e que não há promessa de presentes, mas nós realmente aproveitamos esses momentos. Adoro escutar os álbuns de Natal de Elvis e James Brown – você sabe, ótima música de Natal. Dura cerca de 45 minutos e depois seguimos em frente com o resto do dia.

7. ‘High Maintenance’

Eu assisti tanto às versões do Vimeo como as da HBO desse seriado. É realmente uma grande perspectiva da vida das pessoas na cidade de Nova York: a solidão de Nova York e também as conexões. Tem alguma escuridão, mas, definitivamente, tem aquela coisa linda e esperançosa. Mantém o equilíbrio. É realista.

8. ‘Fale com Ela’

É um dos meus filmes favoritos da vida. Amo tudo em relação a ele. É uma história estranha, mas a maneira como é contada, a trilha sonora e a dança são todas tão bonitas. Eu nem sabia quem era Pina Bausch até pouco tempo, e eu não sabia que era quem eu estava amando em um dos meus filmes favoritos. E aquela cena com Caetano Veloso é a coisa mais linda que eu já vi. Tudo sobre o filme: os relacionamentos, a maneira como é filmado. Ele me faz querer mudar para a Espanha!

9. ‘Calypso’, de David Sedaris

David Sedaris é provavelmente um dos meus escritores favoritos, desde que eu era jovem e eu o ouvia na NPR apresentando o Santaland Diaries. Ele é tão engraçado, mas este livro, lançado alguns anos atrás, é um pouco mais sombrio. Achei muito comovente. E agora, eu gosto de coisas que parecem muito pessoais. Quero me conectar assim, provavelmente porque estamos todos escondidos em nossas casas.

10. O podcast de Tara Brach

Descobri quem era ela há pouco tempo e realmente me apaixonei pelo podcast dela nos últimos oito meses, mais ou menos. Eu tenho forçado meus amigos e todo mundo que eu conheço a escutá-lo, deixando-os loucos. Mas acho que este podcast é muito útil, especialmente quando você está nesta situação de quarentena, ou principalmente se não medita, ou se não tira um tempo para si mesmo ou se não tem tempo para pensar sobre as coisas dessa maneira. Você pode sair da esteira da vida – ela chama de transe. Você está preso no transe, sempre pensando na próxima coisa que precisa fazer. Então, basta pausar e reformular como você está pensando em relação a essas coisas. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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