JF Diorio/ AE
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Noite liderada por Stevie Wonder faz fusão retrô no Rock In Rio

Com Joss Stone, Jamiroquai e Janelle Monáe, mistura de soul, R&B, glam, hip-hop e funk dominaram

JOTABÊ MEDEIROS , ROBERTO NASCIMENTO, ENVIADOS ESPECIAIS / RIO, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2011 | 03h03

Janelle, Joss Stone e Jamiroquai são retrô, peças de um quebra-cabeças pós-moderno que reúne soul, R&B, glam, hip-hop, folk, jazz, funk, afro-beat, disco music e até psychobilly. O território em que transitam se vale de um arcabouço de um século de música moderna, e basicamente serve para popularizar uma arte que até já foi proscrita, como o funk, e sua forma é a do entretenimento puro - mas às vezes tem efeitos colaterais, como o de diluir e esfarelar.

 

Janelle, Grace Jones da geração saúde, é um "ArchAndroid" que reuniu uma banda de extraordinária competência, reivindicando um lugar que já foi de Prince na música pop. Sob suítes da trilha do filme Metropólis, ela assume uma persona que é construída com esqueletos de uma extinta cultura pop e o repinta com pincéis do blaxploitation - o cinema negro marginal dos anos 1970. É nessa cultura cênica, todos vestidos de preto e branco, armada com um guitarrista que Little Richard amaria, que Janelle dá um colorido especial à música negra moderna.

Cantando em um palco digno de sua relevância (da última vez que esteve no Brasil, em janeiro, abriu para Amy Winehouse no inferior sistema de som da Arena Anhembi), Janelle fez mais uma apresentação eletrizante em solo nacional. O ímpeto não se desfez por um momento se quer durante os 50 minutos em que Janelle dominou o Rock in Rio, o que lembra as suadas apresentações de James Brown em seu auge. Além dos contagiantes hits Tightrope e Cold War, Janelle fez os dois melhores covers tocados em qualquer festival dos últimos anos: Take Me With You, de Prince, e I Want You Back, em que imitou Michael Jackson com perfeição.

Curioso que tenha sido possível observar numa mesma noite os criadores e suas inúmeras criaturas. Além de Stevie Wonder (um dos grandes responsáveis pelo arredondamento da cultura black nos Estados Unidos), a outra figura-chave da música moderna presente foi Afrika Bambaataa, que veio vestido com as armas de Jorge, indumentária africana de gala. O produtor não fez forfait e cantou com seus discípulos brasileiros (Paula Lima e banda) e portugueses (o divertido rapper Boss AC).

Quando Bambaataa empunha seu maior hit, Planet Rock (que até o jazz moderno já revisitou, na figura de Jason Moran), tudo parece clarear: o funk da Zulu Nation e o hip-hop ancestral de Bambaataa se atualizam em movimento, porque o velho MC não tem e nunca teve intenção de se deixar embalsamar. Sua música está na origem até da música eletrônica de Kraftwerk e outros grupos, que se reciclaram a partir de seus insights.

Jay Kay conseguiu de novo. Do pop que se apresentou no Palco Mundo até agora, o seu é um dos mais sofisticados - funk, acid jazz, música de improvisação coletiva e uma pulsão dançante que foge do óbvio (ao contrário da colega Ke$ha, que subiu antes dele ao palco, uma versão glitter de Britney). O vocalista, band leader, MC, dançarino e ególatra-rotativo do Jamiroquai parecia ter esgotado sua capacidade de se reinventar, mas o show dele foi de grande combustão.

Abrindo com Rock Dust Light Star, do seu disco mais recente, de 2010, e seguindo adiante com Main Vein (de A Funk Odissey, de 2001), Cosmic Girl (single de 1997) e High Times (emprestada da essência dos singles do Jamiroquai, de 1992 a 1996), Jay Kay foi mostrando que dá para fazer festa sem abrir mão da versatilidade. Seu vocal, derivado do de Stevie Wonder, fez dançar os anos 90 com a pulsão da mais moderna música de festa. Essa mistura mostrou que ainda tem lenha pra queimar na noite de hoje.

 

Stevie Wonder. O show mais aguardado da quarta noite do Rock in Rio não decepcionou quem comprou o ingresso ou ficou até a madrugada desta sexta-feira para ver pela TV ou internet. O cantor Stevie Wonder encerrou as apresentações no Palco Mundo com uma perfomance arrebatadora.

Stevie ganhou coro da plateia logo na segunda canção My Eyes Don’t Cry, mas foi com a cover de Garota de Ipanema, que o público definitivamente estava ganho. Na sequência, ele veio com outra canção nacional, Você Abusou, de Antonio Carlos e Jocafi.

Com um repertório cheio de clássicos como Higher Ground, Signed, Sealed, Delivered e I Just Call to Say I Love You, o músico ainda recebeu a presença de Janelle Monáe na última parte do show para dividir com ele outro dois grandes hits, Superstition e As.

 

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