Noite Ilustrada faz show em SP

Nada melhor para encerrar uma série chamada Cantores da Noite do que um show com o célebre Noite Ilustrada, que brilhou intensamente nas casas noturnas de São Paulo de 1956 a meados da década de 60. Nesse tempo, apresentando-se de domingo a domingo e em duas ou três casas por noite, o cantor mineiro ficou conhecidíssimo na cidade, que o adotou na hora. A lista de endereços onde cantou é um verdadeiro roteiro da noite paulistana de 40 anos atrás: Meninão, Comodoro, King´s, Pierrot, Moleque, Chicote, Vagalume, Cave...Para a apresentação de hoje, o artista selecionou uma série de músicas que o acompanharam por seus 50 anos de carreira, incluindo obras de Ary Barroso, Zé Kéti, Cartola, Dorival Caymmi, Nelson Cavaquinho e Candeia. O destaque é, evidentemente, seu maior sucesso Volta Por Cima, de 1962, que, aliás, chegou às suas mãos por meio de um colega de noite - e admirador -, Zé Henrique, que, por sua vez, a aprendera numa daquelas madrugadas com o compositor Paulo Vanzolini. A variedade do repertório programado, porém, é apenas uma pequena amostra do que ele cantava em seus tempos de crooner."Era muito difícil um cliente pedir uma música que eu não conhecesse, pois eu tinha uma facilidade muito grande para decorar os lançamentos do rádio. Houve uma noite, por exemplo, em que eu me sentei com o Ataulpho Alves e comecei a cantar as músicas dele que sabia; eram tantas, que ele já nem se lembrava de uma boa parte", recorda.Embora Noite Ilustrada esteja se preparando para voltar a cantar na noite paulistana - o bar Brahma quer contratá-lo para uma apresentação semanal -, a memória dos velhos tempos ainda lhe tira suspiros. "Eu me lembro daquela época com muita saudade, pois foi quando fiquei conhecido. Esse tipo de trabalho é bem interesante, pois a gente sempre fica frente a frente com o público e consegue criar uma intimidade impossível para um show normal", diz ele.Um esclarecimento é necessário: o apelido Noite Ilustrada não tem nada a ver com seu trabalho na noite e, a rigor, com nenhum outro que tenha feito. Acontece que, no começo de sua trajetória musical, no distante ano de 1951, quando participava de um show comandado pelo comediante Zé Trindade, o apresentador esqueceu seu nome e, sem saber como chamá-lo, bateu o olho no letreiro da revista que o cantor trazia no bolso e disparou: "Agora, com vocês... Noiiiite Ilustraaada!".Muito admirado, sobretudo por seu belo timbre de voz, seu sincopado fluente e sua particularíssima pronúncia do português, tão correta quanto elegante, Noite cativou um público numeroso e fiel também por uma outra qualidade importante: seu impressionante carisma. Quem for assisti-lo no Sesc-Pinheiros verá que esse carisma, que já inspirou a simpatia de inúmeros notáveis, como os ex-presidentes Jucelino Kubitschek e Jânio Quadros, é capaz de sensibilizar qualquer platéia do mundo.Noite Ilustrada - Cantores da Noite, Hall de Convivência do Sesc Pinheiros (Av. Rebouças, 2.876, tel.: 3815-3999). Hoje, às 21h. Ingresso: R$ 10.

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