NoCapricho elege Sweet Cherry Fury a melhor banda

Imagine: show de bandas conhecidas e desconhecidas, desfiles de moda, concurso de modelo, curso de beleza, consultoria de moda, avaliação física, oficina de grafite, pista de skate e até um concurso de música. Adicione a isso, música alta e adolescentes. Mas muitos adolescentes: roupas coloridas, repletos de piercings - tanto que não passariam pela porta giratória de um banco - e muitos gritinhos. Agora, imagine tudo isso, junto, acontecendo ao mesmo tempo, em um único lugar. Foi assim a 4.ª edição do NoCapricho, evento gratuito organizado pela revista Capricho de 20 a 22 de outubro que lotou a Universidade Anhembi Morumbi.Mas é claro que além de todas as opções de diversão, os jovens estavam lá com um objetivo: paquerar. E, nessa hora, não importa a técnica, o importante é beijar. "Sou bem objetivo. Falo assim para a ´mina´: ´não tenho nada para conversar, então vamos beijar logo porque a gente não vai mais se encontrar!", ensina Gabriel Zinhani, de 16 anos, que, ainda assim, garante ser fiel à namorada e mostra orgulhoso a aliança "de compromisso" na mão esquerda. "Dou conselhos para meus amigos, mas não faço nada", garante. Diferentemente do amigo, Fabio Freire, de 17 anos, tem namorada, mas prefere guardar a aliança no bolso: "É para não perder", brinca. Indagados por que eles não levaram as namoradas junto, a resposta foi unânime: "Só veio amigo, não faz sentido trazer namorada." Único solteiro da turma, Marcelo Yanagida garante que a menina nem precisa ser muito bonita e ensina sua principal cantada. "Eu falo assim para a ´mina´: se eu beijar e você gostar, eu dou outro; se você não gostar, você me devolve!" Todos os amigos caem na risada.É assim que funciona. Tudo é uma grande brincadeira e o importante é não levar nada a sério. E não pense que essa regra vale só para os meninos. "Falo tudo o que quero. Mas o que gosto mesmo é ficar ´zuando´ com os meninos. Quando um feio vem mexer com a gente, fazemos uma rodinha em volta e falamos que ele se veste mal, que não é bonito e damos muita risada", explica Priscila Zanela, de 13 anos, do alto de sua bota plataforma que aumenta 7 centímetros em seu 1,50 m. Ela e suas amigas usam as tais botas com microssaias como se fosse uniforme. "Tem que ter estilo, né? Não dá para ficar se vestindo igual a todo mundo!", declara Julia Carames, de 13 anos, amiga de Priscila.E estilo não falta mesmo para essa garotada. Mas que fique claro que ninguém gosta de se enquadrar em rótulos. "Faço meu próprio estilo. Tem muita crítica em cima da gente, que se veste diferente, mas não ligo. Gosto de chamar atenção", fala Giovana Fonseca, de 12 anos. "Não somos ´emo´! Não gostamos de ´emo´", esbraveja Laura Dettfeman, de 16 anos ao ser comparada com emocore - jovens que gostam de rock com letras emotivas - febre entre adolescentes. "Gosto de me arrumar! Passo lápis no olho para deixar o olhar mais profundo e não ligo para o que os outros falam", diz Yuri Fernando, fazendo coro às amigas.Apesar da confusão entre ser ou não ser emo, muita coisa se explica ao observar como o estilo de música que o jovem ouve está ligado à forma como ele se veste. A banda Sweet Cherry Fury, eleita a melhor do evento, com votação de júri popular, entre outras 315 bandas de todo o País, é bem um resumo dos jovens de hoje. Estilosos, cabelos descoloridos, tênis all star, óculos escuros enormes e muita pose. "Fazemos uma música sem pretensão. É só diversão", entrega Guilherme Peres, de 16 anos e o único menino da banda. "Quero viver de música. Acho que esse foi só um passo para as coisas darem certo", garante Nika Serafim, de 17 anos, que até largaria a faculdade de turismo para seguir o sonho.Eles não têm mesmo medo de ir atrás do que acreditam. Entre um tombo e outro, Gabriel Almeida, de 15 anos, vê seu futuro no skate. "Sou muito bom!", diz, sem nenhuma modéstia. "Ele é bom mesmo. Daí fica um monte de menina olhando e eu aproveito para atacar", diverte-se o amigo Caio Katsuo, de 15 anos.

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