Nóbrega comemora 100 anos de frevo com dois CDs

Em 2007, o frevo completa 100 anos. Essa contagem é feita, oficialmente, a partir da primeira vez que a palavra frevo apareceu num artigo do Jornal Pequeno de Recife (atualmente, Diário da Manhã), em 9 de fevereiro de 1907, para nomear um gênero musical. O multiinstrumentista Antonio Nóbrega, um apaixonado (e estudioso) incondicional pelas manifestações culturais brasileiras, sobretudo pelo frevo, decidiu antecipar as comemorações desse centenário com o lançamento do CD Nove de Frevereiro, referência brincalhona à data histórica. Embora se acredite que, no fim do século 19, o gênero já comece a se formatar como frevo, conta Nóbrega. Nove de Frevereiro é o primeiro de dois CDs, nos quais ele resgata a trajetória do universo frevístico, desde seus formadores até as gerações mais contemporâneas. Neste primeiro trabalho, que acaba de chegar às lojas, o músico, também dançarino e cantor, compilou frevos de autores das antigas, representativos no gênero musical em suas três vertentes: frevo-de-bloco (cujas letras e melodias misturam saudade e evocação, é executado por um coro feminino e acompanhado por uma orquestra), frevo-canção (responsável pela animação dos salões e das multidões que seguem as Freviocas) e o frevo-de-rua (criado inicialmente para ser executado a céu aberto). Garimpou velhos frevos, alguns deles já esquecidos, como Dedé, de Nelson Ferreira; A Pisada É Essa, de Capiba; e Último Dia/ Mexe com Tudo, de Levino Ferreira, entre outros. São compositores cuja trajetória foi importante na criação da linguagem do carnaval, em geral, e do frevo, em particular, conta. Apesar de não ser um álbum autoral, Nóbrega deu sua contribuição ao gênero convidando amigos compositores a darem novos arranjos ao antigo repertório. Normalmente, os frevos-de-rua são músicas compostas por autores para uma orquestra de sopro, principalmente. Às vezes, o frevo é reorganizado anos depois por outros compositores de frevo, explica o músico. Um dos fatores que mais ajudam na modernização dos frevos é a sua orquestração harmônica mais atual. Mas a marca mais pessoal de Nóbrega aparece no CD, quando ele coloca seu violino a serviço do frevo, algo pouco usual. Ele e sua trupe se apresentam nos dias 3, 4 e 5 no Sesc Pompéia, em São Paulo, e fazem um arrastão pelas ruas do Recife, justamente no dia 9.

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