No Porn lança CD com resumo da sua trajetória

Foi em clima de brincadeira que a artista plástica carioca Liana Padilha começou a cantar nos sets de electro que ela tocava junto com o webdesigner Luca Lauri em clubes como o Supperclub e o Xingu. A idéia deu tão certo que no começo dos anos 2000 acabaram compondo músicas que se tornaram pequenos hits de clubes e projetos itinerantes. Evocando sexo, música e muito champagne, eles formaram a dupla No Porn, que desde então se apresentou em pocket shows e clubes por todo o Brasil e agora lança pela Segundo Mundo seu primeiro álbum, de nome homônimo, que reúne faixas como Ctrl + Alt + Del, Xingu, Eu te Amo e Baile de Peruas. Atualmente a dupla é residente de umas das noites mais concorridas (e abafadas) de São Paulo, a $trip Poker, nas sextas do Vegas. Em meados dos anos 90, Liana começou a fazer alguns laboratórios com voz e teclados com Regis Fadel, falecido em 2000. Luca, que já tocava desde 1994, dividiu as picapes com ela em algumas noites e acabou se tornando o mentor musical da dupla. O som é contemporâneo ao boom do electroclash, movimento que implantou a semente do sucesso do novo electro. Com bases ?gordas?, bastante grooveadas apesar do sintetismo dark, o No Porn cantou e brincou, em português, com o cotidiano da noite. ?Eu sou do Rio, gosto de cantar em português, e foi legal porque nunca teve muita gente cantando sobre um estilo de vida que todo mundo das pistas vivia?, conta Liana. A letra de Baile de Peruas é do estilista paraense André Lima, e reúne trechos de críticas de seus desfiles que saíram na imprensa. Eu Te Amo resume bem a atmosfera erótica que a dupla passa através dos timbres e do vocal grave de Liana: ?Tuas pernas têm o cheiro do suor que excita tudo o que eu quero fazer?, diz a letra. ?Trabalhar a sexualidade sempre foi algo intrínseco na nossa música?, explica a vocalista. O convite para um álbum só surgiu no ano passado através de Dudu Marote, ex-produtor de bandas como Skank e Pato Fu, atual membro do grupo de house Jamanta Crew e dono do selo Segundo Mundo, que tem artistas como Nego Moçambique e Drumagick em seu cast. A dupla saiu do soundsystem dos clubes e ganhou acabamento de estúdio, além da participação de Edgard Scandurra como guitarrista, dando um ar mais rocker às faixas Janelas, Dois, Sonia e Exc Main Niz. A dupla segue agora nas apresentações para divulgar o disco, sem pressa para elaborar novas músicas, que devem vir com o tempo, após muitas noitadas e muitas taças de champagne. ?Foi um trabalho para reunir o que já havíamos feito?, completa. A principal característica que um CD trará à dupla é o acesso mais fácil às músicas, transformando anos de shows noturnos em fonte de inspiração e referência temporal de música eletrônica e noite em São Paulo. Com uma evolução natural, que deixou as apresentações mais seguras com o tempo, o No Porn finaliza a fase inicial de seu trabalho com maturidade suficiente para novas experimentações musicais no futuro. Tudo isso em algum club, de preferência cheio e animado. Quem toca hoje junto com o No Porn é o DJ inglês de techno Mr. C, um dos fundadores do famoso clube londrino The End, que completa dez anos agora. Ele tocou aqui nas edições de 2001 e 2002 do Skol Beats, quando o festival fechou parceria com a casa. Foi lá que o techouse surgiu, misturando os loops do techno com o groove do house. Virou DJ com sólida carreira internacional e fundou o clube, que ainda tem um selo, a End Recordings. No Porn, Mr. C, Márcio Vermelho e Renato Ratier. D-Edge/The End. Al.Olga, 170, Barra Funda, 3666-9022. Hoje(24), a partir da 0h. R$ 35

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.