No palco, os verdadeiros VJs

Ainda não foi encontrada uma tradução para o português de VJ (já que DJ é uma atividade tão antiga que há até quem se auto-intitule como discotecário). Embora existam os que acham que apresentador de videoclipes é o que se convencionou a ser chamado como tal, os video-jockeys são artistas visuais que produzem ou se apropriam de imagens e as transformam por meio de edições dinâmicas. Elas podem acompanhar tanto a adrenalina de uma pista de dança quanto uma performance teatral, mesmo sendo mais conhecidas e difundidas no primeiro caso. Desde as primeiras edições, o Skol Beats reserva espaço para os VJs. As projeções fizeram tanto sucesso ao longo dos anos que, desta vez, o evento criou o Audio Visual Stage para os sets de coletivos, centros independentes de novas mídias e afins. De acordo com Alexis Anastasiou, um dos pioneiros no País, a explosão de VJs no mercado tem um aspecto positivo: "Foi importante para que a atividade não ficasse restrita. Eu não imaginava que fôssemos ganhar esta dimensão em tão pouco tempo". À frente do Visual Farm, centro independente de novas mídias, ele conta que 85% das imagens são produzidas pelos próprios VJs. O resto é apropriado e "sampleado". O Visual Farm terá três representantes no Skol Beats, inclusive no palco principal. O coletivo Embolex recrutou oito VJs para a festa, numa maratona de 16 horas. "Farei um set inspirado no jogo do bicho, uma prática que tem a cara do Brasil", opina Fernão Ciampa. O artista aposta em duas "cartas na manga" na apresentação de um VJ: O freestyle (estilo livre) e a orquestração. A primeira funciona quando o DJ está num compasso diferente e a segunda é quando acontece a sintonia entre imagem e som, que não é necessariamente uma obrigação. "Não fazemos um jogo de montagem, nem de videoclipe", avisa Fernão. Afinal de contas, ser VJ é mais do que dominar um software de edição ou escolher cenas de impacto.

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