No Motomix, mulheres com decotes dão o tom sexy na pista

Quem comprou a camisetas-souvenir do Motomix Art Music não corre o risco de cruzar com alguém vestido igual no próximo show. Todas as 25 colocadas à venda por R$ 50 foram feitas uma a uma, em stencil, por Pedro Rehnman, de 20 anos, e Felipe Tamegão, de 30, da Subject 2 Change, novíssima marca de streewear. Logo que terminou o show do Franz, boa parte do público tentava ir embora, mas a chuva forte complicou. Os poucos que se aventuravam a sair de baixo da marquise e enfrentar a água eram alguns prevenidos, de guarda-chuva, e uma leva de casaquinho de capuz, comprovando que esse é mesmo um uniforme indie.No público mais modernete, várias versões brasileiras da franjinha hype da cantora norueguesa Annie, que usava um cintão meio duvidoso. Em matéria de figurino, ponto para os Franz Ferdinand, como sempre supercool. Justamente por serem conhecidos pelo estilinho que foi incrível quando Alex Kapranos se libertou e, todo suado, arrancou a camisa e jogou os sapatos para a platéia.Já o Eddie Argos, do Art Brut, estava deliciosamente mal-ajambrado. Entrou com uma gravatinha super nerd e como se não desse para piorar depois trocou para uma outra camisa de manga comprida super mal dobrada e com os botões desencontrados. Provavelmente ele até notou, mas não estava nem aí.Na contra-mão dessa atitude super bang bang rock and roll, umas pessoas megaproduzidas, parecendo saídas de um editorial de moda super conceitual, flanavam meio alheias aos shows. Havia aqueles que faziam a linha blasé, com cortes de cabelo lambidos e franjinhas caídas sob os olhos, como se tivessem saído do mesmo salão de cabeleireiro.O clima sexy da pista ficou por conta das meninas, que aproveitaram o calorão ali dentro do Espaço das Américas (em contrapartida com o frio lá de fora), para mostrar profundos decotes nas costas, na maioria dos casos em versões nada comportadas. Blusinhas tomara que caia, de frente única ou com fendas profundas fizeram a alegria dos marmanjos. Os chapéus, que finalmente chegaram com tudo para meninos e meninas, eram vistos na cabeça do público em diferentes tecidos e formatos. Poucas figuraças da semana, como diria o pessoal do "Casseta & Planeta", flanavam chamando a atenção com mais ênfase. Uma das que conseguiam era Carlos Margarido, por conta de curioso detalhe da roupa: um cinto com um display eletrônico que ficava passando mensagens. ?Got hype? ou ?Proximity messenger?, eram algumas delas. Era um homem-teaser ambulante. ?Encomendei pela internet num site chamado Scrolling Buckle?, ele dizia, orgulhosamente. Alheio ao clima fashion, um esfuziante André Barros pulava feito criança diante do ótimo show dos nova-iorquinos do Radio 4. ?Os seguranças dão risada, mas eu nem ligo. O importante é curtir o show. Eu tenho todos os discos do Radio 4. Adoro Franz, mas Radio é especial?, comentava o jornalista que comemorava seu aniversário e ganhou um presente inesperado. O tecladista da banda, Gerar Garone, em reconhecimento à dedicação de Barros, entregou o set list do show para ele. ?Vou xerocar e mostrar para todo mundo. É uma lembrança e tanto para quem está completando 28 anos.?A vibração da platéia no show do Franz Ferdinand teve a colaboração dos meninos do Art Brut, que aliás já tinham assistido, na muvuca mesmo, a apresentação da Annie. Os integrantes das bandas do primeiro dia estavam na maior afinidade. O que facilitou a interação percussiva no final do show do Radio 4.No final, tinha mais trânsito para o pessoal que estava indo à vizinha Villa Country do que muvuca para chegar e sair da balada do Motomix.

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