No lugar do Free Jazz, começa o Tim Festival

A partir desta noite, tudo que está acontecendo de mais interessante na música popular internacional desembarca no Brasil, mais precisamente no Museu de Arte Moderna do Rio. É o Tim Festival, que começa às 20h, com show do bandoneonista argentino Nestor Marconi e seu Quinteto, sucedendo o antigo Free Jazz Festival. A mostra traz ao Rio até a manhã de domingo 40 atrações e deve reunir entre 45 e 50 mil espectadores. Restavam poucos ingressos na quinta-feira, e apenas para a última noite do festival, no sábado. "Fizemos o último Free Jazz Festival em 2001. Em 2002, após o cancelamento do que seria a última edição, recebi um telefonema do Mário Cohen (da Tim Brasil, companhia de celulares, controlada pela Telecom Itália), que disse que seria importante manter o festival, não deixar que ele terminasse", contou a cineasta e produtora Monique Gardenberg, que começou a organizar a mostra há 19 anos. "Ele tinha uma proposta que era um grande pacote de ações, incluía o Prêmio Tim e o Tim Música nas Escolas, entre outros planos. Ele me convenceu". O projeto todo é avaliado pela companhia em R$ 4 milhões anuais. O velho Free Jazz Festival teve momentos históricos, como os concertos dos grupos Kraftwerk e do produtor Aphex Twin. Para este ano, o curador Hermano Vianna aposta na continuidade dessas aventuras musicais. "Há grande novidade nos shows de Coldcut e The Streets, por exemplo. Acho também que o Front 242 traz esse pioneirismo de linguagem ao festival, é um som que inovou e está presente no que a gente ouve hoje. Até a batida do funk Vou Passar Cerol na Mão tem a ver com a base do Front 242", ponderou Vianna. Hoje, na abertura do festival, há pelo menos quatro shows imperdíveis - se não houvesse simultaneidade entre eles. Na seara jazzística, no palco Club, o grande concerto é o da big band do pianista McCoy Tyner, de 65 anos, com 15 músicos. Tyner pertenceu ao grupo de John Coltrane e é um dos mais influentes músicos no seu instrumento. No palco principal, duas cantoras fazem sua estréia no Brasil: a inglesa Beth Gibbons e a canadense k.d. lang. As duas são das mais refinadas intérpretes de música popular do planeta. Ninguém vai ficar parado, nem as pilastras do magnífico museu de Afonso Reidy, o arquiteto do MAM do Rio de Janeiro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.