No embalo de "Diários", Jorge Drexler chega ao Brasil

Quem se emociona com a história de Diários de Motocicleta, de Walter Salles, não deixa de sair tocado também pela canção Al Otro Lado del Rio, que acompanha os créditos finais do filme. O autor e intérprete é o uruguaio Jorge Drexler, que acaba de lançar seu sétimo álbum, Eco (Warner), o primeiro a sair por estas bandas. Apesar de contar com diversos admiradores brasileiros no meio artístico, como Celso Fonseca e Marcos Suzano, Drexler fez o primeiro show oficial no País só anteontem no Rio e se apresenta hoje no Sesc Vila Mariana.No encarte do CD ele cita versos de Futuros Amantes, de Chico Buarque. O disco tem participação do percussionista Marcos Suzano. Moska já gravou música de Drexler e participa do show de hoje (talvez Chico César também cante). Sinais de longa relação musical com o patropi, de onde Drexler já incorporou a bossa nova e o conceito antropofágico do tropicalismo. De cara, ele vai presentear o público com a primeira execução ao vivo de Al Otro Lado del Rio. Ele também marca presença no CD Bajofondo: Tangoclub, curioso projeto que mescla gêneros da eletrônica com o tradicional ritmo argentino, recém-lançado aqui pela Universal.Nascido em Montevidéu há 40 anos, Drexler vive há 10 anos em Madri. A distância da terra natal se reflete nas letras densas e poéticas do ótimo Eco, disco que congrega uruguaios, brasileiros, argentinos e espanhóis. "Na Espanha sou imigrante, essa distância de casa fez com que o tema da identidade aparecesse muito forte na minha música", explica Drexler. "O conceito do eco está na relação com essa nostalgia. É a presença de algo que já não está mais lá. O som permanece, mas o que o gerou não existe mais, ficou só a reverberação. É assim com os sentimentos."O disco tem misturas de influências, mas ao mesmo tempo faz com que saibam de onde e de que época ele veio. As possibilidades sonoras oferecidas pela eletrônica definem seu tempo e dão um toque sutil de modernidade às canções compostas de maneira tradicional e executadas com guitarras elétricas e acústicas, bandoneon e até o ancestral theremin. Definir o estilo é o que menos importa. O que Drexler faz são canções pop de grande beleza. Além disso, é um excelente cantor, de voz envolvente, melancólica - como são as melodias. Não bastasse isso, ele ainda é um letrista primoroso. "O vinho que eu paguei/ Com aquele euro italiano/ Que antes esteve num vagão/ Antes de esta na minha mão/ E antes disso em Torino, em Prato,/ Onde fizeram meu sapato/ Que se mancharia de vinho", canta em Tudo se Transforma. Por tudo isso e mais um pouco é mais do que hora de o Brasil descobri-lo.

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