No CCSP, Grupo dos 7 evoca o samba feito com caixotes

As histórias contadas em canções de samba agora encenadas. A melodia que se transforma em trilha sonora tocada ao vivo, entre batucadas em caixotes, choros de cavaquinho, pandeiro e clarinete. A união do teatro com o samba. Sim, isso é possível e poderá ser conferido pelo público, de hoje até domingo, com o Grupo dos 7, que vai apresentar o projeto Teatrosamba do Caixote, no Centro Cultural São Paulo. "Há mais de 15 anos que trabalho com música, sou compositor. A Claudia Pacheco é cantora e minha parceira desde aquela época. A paixão pelo teatro foi, sem dúvida, despertada pela Myrian Muniz, com quem trabalhamos durante 20 anos, oferecendo oficinas de interpretação para cantores, fazendo trilhas sonoras para diversos espetáculos, entre outras coisas", conta um dos fundadores da trupe, Zebba dal Farra. O nascimento do Teatrosamba do Caixote, no entanto, ocorreu apenas em 2001, no Teatro Alfredo Mesquita, na zona norte da capital. "Sempre nos fascinou a evocação poética do samba feito com caixotes, aquele que Geraldo Filme já mencionava em suas canções, dizendo que foi no Largo da Banana que ele começou", diz Farra. O nome do largo, não por acaso, remete às bananas que eram carregadas nos caixotes, que serviam tanto para os sambistas se acomodarem, como para as batucadas que rolavam durante dias e noites inteiras. "Na letra de Último Sambista, Geraldo Filme dá adeus às rodas de samba que deixariam de existir no Largo da Banana, que ficava na Barra Funda, pois bem ali foi construído o Viaduto Pacaembu no fim dos anos 50", completa. Desde a criação do Teatrosamba do Caixote, as apresentações começam sempre com a fusão das canções Bebadosamba, de Paulinho da Viola, e Yaô, de Pixinguinha e Gastão Viana. "A canção do Paulinho evoca a ´chama que o samba semeia´, o movimento da memória, um vínculo que não queremos perder com a nossa história que está impressa nesses sambas", explica Farra. Nos últimos três anos de Teatrosamba, já ocorreram mais de cem rodas em 40 roteiros diferentes, a grande maioria apresentada no Estação 7, espaço localizado na Rua Alfredo Pujol, nº 381, que hoje está inativo por não receber mais o fomento municipal. Os quatro programas que serão apresentados, de hoje a domingo, pelo grupo giram em torno do tema Trabalho, Preguiça e Malandragem. Hoje será mostrado o Samba da Preguiça, que vai brincar com a oposição de idéias de Paul Lafargue, em Elogio à Preguiça, e Vinícius de Moraes, no poema Operário em Construção. Amanhã, as >Mães Negras do Samba serão evocadas, entre elas Tia Ciata, em cuja casa no Rio nasceu a raiz do samba no começo do século 20, Menininha, Clementina de Jesus e Dona Ivone Lara. Para fechar o ciclo, sábado e domingo serão apresentados fragmentos de rodas e espetáculos da trupe. Nesses dois dias será gravado um DVD, previsto para ser lançado em outubro, que só foi possível graças ao Prêmio Funarte Myrian Muniz que o Grupo dos 7 recebeu pelo projeto Teatrosamba do Caixote. "No meio dessas duas rodas que faremos no fim de semana mostraremos canções conhecidas pelo público, entre as quais, sambas de Chico Buarque e Gilberto Gil." Teatrosamba do Caixote. Centro Cultural São Paulo/Sala Adoniran Barbosa (631 lug.). R. Vergueiro, 1.000, 3277-3611, ramal 221. 5.ª a sáb., 19 h; dom., 18 h. R$ 10. Até 7/5

Agencia Estado,

04 de maio de 2006 | 14h24

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.