No Canecão, o passado e os 'Transambas' de Caetano

Estreia do show do álbum 'zii e zie' foi dedicada aos blogueiros

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

11 de maio de 2009 | 10h08

Augusto Boal, Maria Bethânia, Paulinho da Viola, Roberto Carlos... Foram várias as homenagens prestadas por Caetano Veloso na estreia do show zii e zie, na sexta-feira, no Canecão. Mas o principal tributo foi à cidade do Rio, onde o cantor e compositor baiano mora há mais de 40 anos, retratada em projeções num telão e nas músicas de seu CD de "transambas" gravado com a banda Cê, como Lapa e Falso Leblon.

Com Caetano, estavam Pedro Sá (guitarra), Marcelo Callado (bateria) e Ricardo Dias Gomes (baixo e teclado), num palco que tinha como cenário uma asa delta. A noite foi aberta com A Voz do Morto, canção esquecida nos anos 60 cujos versos dizem: "Eu canto com o mundo que roda/ Eu e o Paulinho da Viola/ Viva o Paulinho da Viola!" Praticamente ninguém na plateia - lotada de convidados famosos - a conhecia, mas a música foi muito aplaudida.

Os momentos em que o público mais se entusiasmou, aliás, foram os de volta ao passado - o que não é exatamente uma surpresa em se tratando de um show de lançamento de disco: Trem das Cores, em que teve destaque para o teclado de Dias Gomes, Irene e Não Identificado - um dos pontos altos, tocado em versão roqueira, assim como Eu Sou Neguinha.

Do CD com Jorge Mautner, resgatou Manjar de Reis, já no bis, emendando com Três Travestis, de 30 anos atrás. Caetano terminou com Força Estranha, saudando seu intérprete maior, Roberto Carlos.

Originado da série de shows Obra em Progresso, realizada há um ano, zii e zie foi quase todo cantado: Sem Cais, Perdeu, Por Quem, Lobão Tem Razão, Tarado Ni Você, Menina da Ria, Falso Leblon, Base de Guantánamo, Lapa, A Cor Amarela, Incompatibilidade de Gênios. São músicas já testadas em Obra em Progresso. Nesse sentido, o show foi semelhante aos que Caetano apresentou em 2008. Mas não igual, já que, segundo o próprio, o trabalho com a banda "está mais maduro".

E o repertório tem diferenças também - entre as "novas" estão Água, de Kassin, canção que ele sempre elogia em suas declarações e até entrou na letra de Lapa; Volver, do filme de Pedro Almodóvar, e Aquele Frevo-Axé, composição sua gravada por Gal Costa, cantada num momento voz e violão. Do disco anterior, Cê, entrou só Odeio, a qual Caetano disse que "sempre vai amar".

A estreia foi dedicada aos fãs que acompanharam a feitura de zii e zie na internet, pelo blog que ele manteve até o lançamento do CD.

Caetano também homenageou o dramaturgo Augusto Boal, que morreu no dia 2. Boal criou, nos anos 60, Arena Conta Bahia, show com direção musical de Caetano e Gil. "Augusto Boal foi o primeiro a dirigir Bethânia no Rio e ele ficou cuidando dela quando voltei pra Bahia", disse, depois de cantar Maria Bethânia. O show não tem data confirmada em São Paulo.

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