Mitch Major
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No Brasil para shows, Adore Delano prova ser uma drag queen rockstar

Finalista de ‘RuPaul’s Drag Race’, a cantora se apresenta em São Paulo, Rio e Porto Alegre neste final de semana

Pedro Rocha, Especial para o Estado

02 Agosto 2018 | 18h33

Adore Delano foi finalista, mas não levou o título da sexta temporada de RuPaul’s Drag Race, reality show de competição para drag queens, em que seu apresentador, RuPaul Charles, procura a próxima drag superstar, para continuar o seu legado. Tudo bem, Adore se tornou uma drag totalmente rockstar. Depois de inúmeras visitas ao Brasil para shows sozinha em casas noturnas, desta vez, Adore aterrissa com sua banda, para apresentar músicas do seu terceiro álbum de estúdio, Whatever, lançado no ano passado. O show em São Paulo é nesta sexta-feira, 3, no Teatro Bradesco, às 21h. 

Sim, Adore canta. Ainda adolescente, como Daniel “Danny” Noriega, participou de outro reality show na TV, a competição musical American Idol. Foi classificado nas primeiras fases, mas não chegou ao final. Só depois de participar de Drag Race, anos depois, lançou seu primeiro disco, já como Adore, Till Death Do Us Party, em 2014. O seguinte, After Party, chegou em 2016. Até então, ela mantinha o estilo eletrônico, com letras engraçadinhas, como fazem outras drag queens do programa, como Alaska Thunderfuck.

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Na época, as artistas dividiam a mesma equipe de produção, por isso a semelhança dos trabalhos. Mas nesse seu primeiro disco “independente”, Adore resolveu apostar no estilo que realmente gosta, o rock’n’roll. “Era o caminho que eu devia ter seguido desde o começo”, confessa ao Estado. Não por acaso, seu álbum se chama Whatever, a palavra cantada antes de “Nevermind” em Smells Like Teen Spirit, clássico do Nirvana. “O jeito que Kurt (Cobain) escrevia era muito especial, existem poucos gênios assim. Quis trazer isso para os jovens de hoje em dia.”

A cantora diz não ter se preocupado com a reação dos fãs mais antigos. “O melhor conselho que RuPaul me deu foi que algumas pessoas iriam entender, e outras não, mas tudo bem, a vida continua”, relembra. Segundo ela, a recepção do novo estilo, em geral, foi positiva. As letras de Adore também estão mais maduras e falam sobre problemas e sentimentos. “Superman às vezes é Clark Kent. O que você vê, na sua frente, vem do Danny”, analisa a cantora, enquanto mexe em sua gigantesca peruca verde. “Costumo dizer que escrevo como Danny e me apresento como Adore.” Para ela, é estranho que suas colegas drag queens não falem sobre as mesmas coisas em suas músicas. “Nós conversamos sobre desilusões e corações partidos, mas elas não escrevem sobre isso.”

O dom de compor vem desde cedo. Adore lembra de escrever poesias desde que tinha 12 anos. Até hoje, escreve pelo menos uma por semana. Algumas se tornam músicas, como I Adore You. A maquiagem também apareceu na adolescência. “Crescendo, eu vivia como uma garota, me maquiava”, diz, revelando ser uma pessoa não-binária, aquela que não se identifica exclusivamente com o gênero masculino ou feminino. Durante o American Idol, ela foi aconselhada a se comportar de uma forma masculina. Por isso, se sentiu livre quando descobriu Drag Race. “Parecia o programa perfeito para mim.” 

Mesmo no divertido reality show de drag queens, a cantora sempre se mostrou mais sensível, como no programa All Stars, em que voltou a competir, mas acabou desistindo na primeira semana, com direito a muito choro. “Estou na TV desde os 16 anos. Quando você está num programa, parece que suas emoções ficam ainda mais fortes.” Por enquanto, ela diz que não pensa em retornar tão cedo para à TV. Já recusou propostas da MTV e do canal VH1. “Estou focada em cantar e compor. Só faria se fosse algo envolvendo música.” 

Depois do show em São Paulo, Adore segue para o Rio, no sábado, 3, e para Porto Alegre, no domingo. 

ADORE DELANO - WHATEVER TOUR

Teatro Bradesco. Bourbon Shopping - R. Palestra Itália, 500. Tel. (11) 3670-4100. Entre R$ 100 e R$ 200 (inteira). Classificação livre.

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