No Brasil, Jorge Drexler canta mas é proibido de falar

O cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler que foi impedido de cantar sua própria música na cerimônia do Oscar, em 27 de fevereiro, foi proibido de falar com a imprensa em sua passagem relâmpago pelo País, para relançar o disco Eco, do ano passado, acrescido de Al Otro Lado del Río.No Oscar, Drexler protagonizou um dos momentos mais emocionantes da festa, ao receber o prêmio e cantar, em vez de fazer o tradicional agradecimento. Sua música, composta para o filme do brasileiro Walter Salles, foi interpretada pelo guitarrista Carlos Santana e pelo ator Antônio Banderas, em 27 de fevereiro. Circulou nos meios artísticos no Brasil e em Los Angeles, um abaixo-assinado em protesto à decisão do produtor do show do Oscar Gil Cates, entregue ao presidente da Academia de Hollywood pelo produtor do filme Robert Redford.Na segunda-feira, em São Paulo, Drexler fez entrevistas para televisão e foi ao programa de Hebe Camargo, no SBT, que o tratou bem, mas o despachou gentilmente assim que ele cantou Al Otro Lado del Río. Em seu show no Rio, no FM Hall, um muquifo pseudo-luxuoso, que o Shopping Rio Sul tenta transformar em casa noturna há mais de dez anos, foi impossível ouvir o pop competente de Drexler, com melodias fáceis e gostosas. Afinal, são canções de amor e, para isso, não há idioma mais apropriado que o espanhol. A gravadora impediu o artista de falar com o público ou com a imprensa. E, mesmo com 500 pessoas lá, não havia sequer um CD à venda. Tomara que ele volte do jeito de deve ser. Drexler tem sete discos, em 12 anos de carreira e, até o ano passado, só os antenados sabiam dele. Mas em duas mini-temporadas no Rio, em julho e dezembro, lotou o Mistura Fina e o Centro Cultural Carioca, locais adequados à sua música. Ele e o público merecem nova chance. Suas canções têm tudo para virar hit aqui.Salvou-o sua simpatia e a curiosidade do público em conhecer esse vizinho (nessas horas, o Uruguai fica logo ali) que chegou aos píncaros da glória, lá em Hollywood.

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