Matt Sayles/ AP
Matt Sayles/ AP

No Brasil, Bruno Mars prova que é herdeiro dos melhores da música pop

Surgido em uma banda cover de Jackson Five, Bruno Mars vem a SP para provar que tem o mundo nas mãos

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

22 de novembro de 2017 | 06h00

Do alto de seu não tão impressionante assim 1,65 m, Bruno Mars se encontra entre os gigantes da música pop atual. Encara todos olho no olho. E não importa o tamanho do rival: o provável é que o oponente vá beijar a lona. Cinco anos depois da última passagem pelo Brasil, em 2012, o havaiano, que começou a carreira como cover de Michael Jackson em uma banda que emulava os Jackson Five, é o maioral. Quem dá as cartas no universo mainstream mais do que o rapaz? Beyoncé, provavelmente, é a única a estar acima dele na cadeia alimentar radiofônica. É claro, ele encara rivais fortes, como Ed Sheeran e Justin Bieber. Num embate contra o inglês e o canadense, contudo, eu apostaria no baixinho de topete avantajado.

Bruno Mars é daqueles artistas que lotam uma data em um estádio para mais de 60 mil pessoas, como o Morumbi, em questão de horas e, espertamente, deixam a agenda vaga para ocupar a noite seguinte caso a procura seja imensa. E assim foi. O show por São Paulo, anunciado em maio, teve os ingressos da primeira data vendidos em questão de horas, assim como no Rio. Duas novas datas foram criadas, uma no Rio e outra na capital paulista, para apaziguar a voraz vontade dos fãs. Em São Paulo, ele se apresenta nesta quarta, 22, e quinta, 23.

É importante pontuar algo, contudo. Mars, sagaz e bom de mercado, não usa nem abusa dos fãs latino-americanos como os bastiões do rock geriátrico (vou poupar dos nomes) e de outros grandões do pop que percorrem o Brasil ano sim, ano não. Mars tocou por aqui em 2012, quando tinha apenas um disco na praça, Doo-Wops & Hooligans. Trata-se de um bom álbum, mas o potencial ‘chicletístico’ do rapaz ainda estava em estágio embrionário.

Mars era o sucesso daquele verão de 2011/2012, com uma penca de hits grudentos – entre eles, destacavam-se Just the Way You Are, Grenade, Talking to the Moon e Marry You –, mas o futuro do havaiano ainda era misterioso. Poderia ter sido apenas um raio certeiro demais, que talvez não repetisse o feito.

Portanto, na primeira passagem pelo Brasil, como atração do festival Summer Soul Festival, dividindo as atenções nas noites em São Paulo, Rio e Florianópolis com Florence and The Machine. Cinco anos depois, a noite é dele – a abertura será da banda DNCE, um projeto de Joe Jonas, um dos Jonas Brothers. Meia década mais tarde, ele coleciona cinco gramofones do Grammy na estante e dois discos recebidos por elogios de todos os lados (fãs e crítica).

Mars mostra que há uma questão de ritmo que deve ser revista. Em tempos de playlists e de música fácil, por streaming, o músico não se apressa para lançar discos. Desde a visita ao Brasil, foram dois. Unorthodox Jukebox saiu mais tarde, naquele ano de 2012, e, quatro anos depois, veio 24K Magic. Enquanto a corrente ideológica do pop atual é entupir os ouvintes de músicas novas e parcerias – veja, por exemplo, o bem-sucedido exemplo da Anitta –, Mars aposta na força dos singles que ele reuniu em cada um dos álbuns.

Unorthodox Jukebox, por exemplo, raspado até o tacho. Locked Out of Heaven, When I Was Your Man, Treasure, Gorilla e Young Girls, lançados como singles em um intervalo de quatro meses, em média, tiveram boa rotação nas rádios. 24K Magic segue o mesmo caminho. Pouco mais de um ano depois do lançamento do álbum, ele ainda exibe fôlego. Trata-se de um álbum de pop maduro, com referências diretas às figuras mais emblemáticas do pop, soul e R&B do passado (Michael Jackson e James Brown), temperadas com doses açucaradas de dores de amor contemporâneo energizadas pelo vigor de Mars no palco. Ali, ele é um gigante.

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