'Ninquém vai me transformar numa Beyoncé balançante', diz vocal no NIN antes do Lollapalooza

'Ninquém vai me transformar numa Beyoncé balançante', diz vocal no NIN antes do Lollapalooza

Trent Reznor fala com o 'Estado' no camarim antes do show que acontece neste sábado no festival

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

05 de abril de 2014 | 19h07

Trent Reznor, o líder do grupo de rock industrial Nine Inch Nails, cuja banda influenciou quase todos os grupos que se agruparam sob o rótulo do "nü metal" em anos recentes, recebeu a reportagem do Estado no seu camarim pouco antes do show que faria no Lollapalooza São Paulo. Ele contou que acaba de compor a trilha do novo filme de David Fincher, Gone Girl, que deverá ser lançada no próximo inverno no hemisfério norte.

Você vai tocar em São Paulo, após tocar em Santiago e Buenos Aires. Viu alguma diferença entre as plateias?

Não sou um especialista, mas vi algumas variações em cada plateia. Achei a plateia argentina um tanto mais contida do que a chilena. Varia de cidade para cidade. Nos Estados Unidos, há cidades em que a plateia enlouquece, em outras ficam mais calados. Não sei quanto a São Paulo, mas tenho a impressão que será fantástico.

Seu concerto está muito mais tecnológico, com um grande aparato visual. Isso é algo imprescindível para quem faz shows desse tamanho?

Bom, nós começamos tocando em clubes, depois fomos para grandes teatros, depois arenas. Sempre sonhei em ter um orçamento na mão para experimentar com algum aparato visual. Mas mantendo a música no centro nervoso da experiência. Mas a ideia nunca foi fazer nada bombástico, apenas dar à enorme plateia um tipo de show que a deixe satisfeita, e que traga algum tipo de surpresa, algo que ela não esteja esperando, com algum senso de teatralidade.

Você teve um problema na festa do Grammy. Cortaram seu show na exibição, e você prometeu nunca mais voltar àquela festa. Mudou de ideia ou continua decidido?

Veja, nunca fui fã dos Grammys. Eu não vejo o Grammy, não acredito no que ele representa. Ao mesmo tempo, quando eu coloco um disco para ser ouvido, é porque eu quero que seja ouvido. Se não fosse assim, eu o tocaria apenas para mim, em meu quarto. É uma contradição enorme, porque o jeito de divulgar a música mudou, a internet mudou o jeito que as pessoas ouvem música. A MTV na América hoje não toca mais música, não há mais rádios, não se vendem mais discos. Quando você põe sua música na TV, é impressionante o tanto de gente que alcança. Eu quero isso. Ao mesmo tempo, só se puder manter minha integridade. Eu não quero ser enfiado no meio de um comercial de TV. Não quero me tornar uma daquelas Beyoncés balançantes. O fato é: o show é um saco, a festa é um saco. Eles premiam o que é mais popular, não o que é bom. Eu não quero ser enfiado no meio de uma m... qualquer só para ser visto. Eu não me importo com os Grammys, nunca me importei.

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