Felipe Rau / Estadão
Felipe Rau / Estadão

Nine Inch Nails usa o tédio como combustão de seu show

Show é montado sobre bombardeio de luzes, mas o que prevalece é a penumbra

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2014 | 21h32

Chamar o show do Nine Inch Nails de tedioso pode ser um elogio para a banda. Um pouco do fastio da sociedade industrial é exatamente a "ambience" que Trent Reznor, o líder do grupo, procura enfatizar em seu show, que é às vezes quase um ruído de fábrica, noutras um monolito de dança primal.

A banda abriu com Wish e fechou com Closer, um set de quase 20 canções. No meio de tudo, canções que evocam desde o new metal até o pavor da sociedade maquinista, como March of the Pigs e Burn. Trent Reznor às vezes abdica das guitarras, e o guitarrista some de cena por um tempo. Depois, reassume e o barulho assume um papel de sonda metálica no ouvido da plateia - muita gente estava deitada no gramado durante o show da banda.

Reznor e sua voz cavernosa ainda têm um papel de articulador de um debate distópico sobre o futuro da música num mundo alheio à diversidade, um mundo homogeneizado. Canções como The Hand That Feeds têm boa pulsão e personificam bem o que ele demonstra procurar com seu conceito. O show é montado sobre um grande bombardeio de luzes, mas o que prevalece é penumbra. Muitos se entediaram - seja pelo conceito, seja pelo trajeto que leva ao Palco Onix, o mais distante de tudo.

Tudo o que sabemos sobre:
Lollapalooza

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.