Nina Simone remixada: mais para lounge do que para pista

Fãs radicais de jazz-blues nem precisam despender tempo e ouvidos com Nina Simone Remixed & Reimagined (Sony/BMG). A compilação com 13 faixas remixadas cada uma por um produtor diferente tem apelo pop, ainda mais do que o próprio repertório originalmente gravado pela cantora entre 1967 e 1973. São canções dos irmãos Gibb, mais conhecidos como Bee Gees (I Can´t See Nobody e To Love Somebody), George Harrison (Here Comes the Sun), Burt Bacharach & Hal David (The Look of Love), Bob Marley (O-o-h Child), John Loudermilk (Turn me on) e My Man´s Gone Now, de Porgy and Bess (George & Ira Gerswhin/D. Heyward).Do material básico desconstruído, na maior parte dos casos só restou a voz de Nina, que também teve limado seu lado autora. Ao contrário de outros projetos do gênero, porém, o álbum está mais para o ângulo lounge da eletrônica do que o das pistas. E é quando pende para esse lado que o CD registra as maiores inadequações, caso de Turn me on, por Tony Humphries, e The Look of Love, por Madison Park e Lenny B, e To Love Somebody, por Chris Coco. Há uma (longa demais) versão deep-house de Save me (Aretha Franklin), pelo Coldcut, e outra de Here Comes the Sun, por François K., que não chegam a incomodar, mas também não fazem falta. Idem para My Man´s Gone Now na visão do DJ Wally.O CD começa e termina bem, com I Can´t See Nobody, por Daniel Y., e Obeah Woman, pelo DJ Logic, que valorizam as influências soul e gospel de Nina. O-o-h Child quase chega a ficar bom, mas o que há de melhor mesmo são as sensacionais versões - uma exótica, outra retrô - de Funkier Than a Mosquito´s Tweeter (toda fragmentada por Jazzmeen sem perder o teor funk) e Ain´t Got no/I Got Life (do musical Hair), que Groovefinder conecta direto ao soul dos anos 60. Em Go to Hell Mowo também vai um pouco nessa linha funk, mas abusa dos efeitos. Nina merecia mais.

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